Oi!
Estou atrasada hoje de novo e minha desculpa, dessa vez, é falta de inspiração. Entretanto, hoje passei o dia lendo o livro Holocausto Brasileiro de Daniela Arpex (muito bom, por sinal), que fala sobre as pessoas internadas no Hospital Psiquiátrico de Barbacena, que era praticamente um campo de concentração.
Sei que passar 7 dias trancado é muito diferente de passar 50 anos, mas acabei me inspirando um pouco na história dessas pessoas que perderam totalmente sua liberdade por culpa de outras pessoas.
Enfim, vamos ao desafio.
Dia 4: Imagine que você está impossibilitado de sair de um quarto pelos próximos 7 dias. Escreva uma crônica sobre cada um dos dias, usando no máximo 100 palavras para cada dia.
Dia 1
O quarto não me parece tão ruim. Nunca fui uma pessoa muito sociável, então estar trancado num quarto não é uma ideia desesperadora para mim. Tenho comida, água, uma cama para deitar e muitas coisas para pensar. Na verdade, acho que será até bom poder me isolar da sociedade um pouco, para que assim eu possa colocar meus pensamentos em dia. Escuto o barulho baixo do relógio na parede, o que é até uma distração para mim. Tenho algum som para escutar e também posso calcular quanto tempo falta até que eu possa sair.
Dia 2
Passei o dia todo dormindo. A cama macia foi minha aliada e nos meus sonhos eu pude visitar meus amigos, meus familiares. Como aqui não tem banheiro, tive que fazer minhas necessidades em um balde que estava jogado em um canto do quarto. Não me importei com isso, já que sempre fui muito sem frescura. Entretanto, o barulho do relógio começou a me irritar um pouco, mas não é nada com que eu não possa lidar. Além disso, o tédio reina aqui.
Dia 3
Estou começando a ficar irritado por não poder sair daqui. Acho que o que nos revolta é a ideia de estarmos aprisionados, e não a prisão em si. Eu ficaria dias fechado em meu quarto sem problemas, mas saber que eu não posso sair acaba me revoltando. O cheiro de minhas fezes começou a me incomodar. Minha vontade é de jogar todas elas pela janela, mas a janela não abre. Não consigo mais dormir, por isso, fico olhando para o relógio e vendo o tempo passar.
Dia 4
Eu não sei qual a temperatura lá fora, mas aqui dentro o calor é insuportável. Todo o meu corpo transpira, por mais que eu já tenha arrancado cada peça de roupa que vestia. Não aguento mais ficar deitado na cama, por isso, deito-me no chão para me refrescar. O barulho do relógio me irritou tanto que eu quebrei o aparelho. Mas continuo ouvindo seus tiques em minha mente, seus barulhos me perturbando constantemente. Já estou enlouquecendo por ficar sem dormir, mas, não importa quantas vezes eu me revire, o sono não aparece.
Dia 5
Eu não faço ideia de quanto tempo já se passou ou em que dia estamos. Para mim, parece que estou preso nesse lugar a décadas. Comecei a escrever com as unhas textos na parede. Coisa de escritor, eu acho. Horas atrás, consegui dormir um pouco. Em meus sonhos, estava em um piquenique em um enorme jardim, junto com todas as pessoas pelas quais tenho estima. A droga foi acordar e ainda estar nesse quarto.
Dia 6
O cheiro de fezes está insuportável. Além disso, a comida está chegando ao fim. Espero que isso signifique que estou mais perto de sair daqui e não que eu estou comendo demais. Sinto-me fraco, com dificuldades até para me levantar. Talvez a debilitação mental traga consequências físicas também. Mas o que eu sei disso? Sou apenas um escritor. Ou era, antes de entrar nesse lugar.
Dia 7
Eu não aguento mais esse lugar. Nas minhas contas, este já é o oitavo dia e, até agora, não tive nenhum sinal de que irei sair. Acho que vou acabar preso aqui pelo resto da vida e, quando a comida acabar, terei que me alimentar de minhas fezes. Depois disso, morrerei de inanição. Estou perdendo todas as minhas esperanças, nem as lembranças de meus amigos me animam. Mas, para a minha surpresa, escuto um barulho da porta se abrindo. Quando olho para o lado, vejo uma luz tão forte que acabo desmaiando.

Deixe um comentário