Boa noite!

Dessa vez estou muito atrasada, por conta da minha viagem e das milhares de coisas que estão acontecendo na minha vida. Eu peço desculpas por ter ficado tanto tempo sem fazer esse desafio.

O tema do texto são relacionamentos abusivos e como o que a gente acha que é “amor” pode acabar nos destruindo. Espero que gostem do texto de hoje.

Dia 12: A vida de uma mulher muda drasticamente nos próximos 3 minutos. Escreva sobre isso em 500 palavras.

O meu quarto escuro mostra como me sinto por dentro. Mesmo com todas aquelas fotos felizes nas redes sociais, estou passando por uma das fases mais difíceis da minha vida.

Ele entra em meu quarto e começa a me xingar, dizendo que eu me afastei dele para vir conversar com outro cara. O que ele não nota são as lágrimas em meu rosto, das quais ele mesmo é o causador.

Ele continua gritando cada vez mais alto. Saio do quarto, tentando fugir de suas acusações. Ele me segue e grita ainda mais, acusando-me de um milhão de coisas que eu nunca fiz.

Sinto seu bafo de cachaça e sei que ele está completamente bêbado. Ele se torna extremamente agressivo quando bebe e eu temo que ele acabe realmente me machucando dessa vez.

Grito de volta, pedindo para que ele me deixe em paz. Ele segura meu braço e me joga contra a parede, apertando meu pescoço. Tento buscar ar mas é impossível com suas mãos fortes ao redor de mim.

O homem me solta e eu respiro, aliviada. Vejo-o se afastar de mim, mas sua feição continua raivosa. Ele anda pela casa, mas depois se volta para mim. Sinto meu corpo todo tremer, consigo ver a maldade em seus olhos.

Pergunto-me aonde foi parar o homem engraçado e romântico pelo qual me apaixonei. O que aconteceu com meu príncipe encantado, que me levava flores no trabalho? Eu não reconheço esse homem que está na minha frente agora, vejo apenas um animal, pronto para acabar com sua presa.

Pergunto a ele o motivo de tudo isso. “Porque você é uma vagabunda”, ele responde. Sinto seu punho, com toda a sua força, atingir meu rosto e quase caio no chão. Ele me dá outro murro e depois um soco na barriga. Desabo no chão.

Eu não consigo entender o motivo de tanto ódio. Sempre fiz tudo por ele, coloquei sua vida na frente da minha. Quis agradá-lo em todas as situações, ajudá-lo com tudo. Arranquei uma parte minha para dar a ele, mesmo que isso me deixasse sangrando. Mesmo que, depois disso, eu nunca mais fosse a mesma.

Ele continua a me atingir com socos e pontapés, enquanto choro baixinho. Não tenho forças para revidar. Talvez eu esteja merecendo isso. Talvez eu seja mesmo a vagabunda de que ele tanto fala.

O homem sai da sala e eu permito-me ficar feliz por saber que essa tortura acabou. Mas ele volta mais uma vez, pronto para me machucar ainda mais. Em suas mãos, vejo uma faca e mal posso raciocinar quando ela é cravada em minha coxa. Solto um grito tão alto que devo ter acordado toda a vizinhança.

Ele também imagina isso, por isso me deixa ali, banhada em meu próprio sangue. Fico apenas deitada ali, sem forças para nada, apenas esperando que a morte chegue. Acabo desmaiando. Dias depois, acordo no hospital com uma perna imobilizada. Para sempre.

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Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.