Boa noite!

Voltei com mais um desafio, dessa vez um pouco sinistro. Espero que gostem.

Dia 17: Escreva sobre uma noiva que está prestes a dizer “Sim” quando ela percebe que está ficando com os pés frios. Mencione algo sobre as flores da decoração da cerimônia.

— … na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe? – o padre diz.

Busco o ar para poder pronunciar minha resposta, mas não consigo nada. Sinto meus pés apertarem e ficarem cada vez mais frios dentro dos sapatos de salto. Noto o olhar de todos na igreja sobre mim. Tento correr, mas sinto-me grudada no chão.

As belas flores brancas começam a murchar e o olhar de meu noivo fica cada vez mais raivoso. Preciso dizer a ele que quero me casar, que não estou fazendo por mal, apenas não consigo me mover.

Pergunto-me o que deve estar passando na cabeça daquelas pessoas neste momento. Devem achar que eu sou uma traidora ou então uma medrosa. Mas isso não me importa, porque a única pessoa que eu deveria fazer feliz continua me olhando, esperando uma resposta.

Finalmente, consigo recuperar o controle dos meus movimentos. Saio correndo da igreja, indo para um lugar em que eu não precise me explicar. Um lugar em que ninguém me olhe feio.

Abro os olhos, percebendo que estou deitada em um lugar completamente escuro. Tateio para os lados, mas o lugar não possui muito espaço. De longe, escuto vozes e barulho de pessoas chorando. Elas parecem estar em algum lugar acima de mim, mas eu não entendo muito.

Sinto várias flores ao meu lado e as aperto com força. Finalmente, descubro o que está acontecendo. Tento respirar, mas o ar aqui é quase inexistente. Arranho a tampa do caixão, mesmo sabendo que isto será inútil. O casamento era só um sonho, o pesadelo começa agora.

Deixe um comentário

Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.