
Não faz mais sentido insistir. Se o corpo não se arrepia quando os lábios se tocam, se a presença não traz mais alegria. Não faz sentido se o abraço não se encaixa perfeitamente e se os corpos não se buscam mais no meio da noite.
Se não sou mais a sua musa, a razão dos seus sorrisos, a inspiração da sua poesia, por que insistir? Mesmo que a rotina implore para que eu finja que não passei a odiar todas as coisas que eu amava em você. Seu ronco no meio da noite, seu tom irônico quase o tempo todo, a maneira estranha como você come.
Não vale a pena continuar assim. Somos dois prisioneiros em uma cela, por mais que ambos tenham a chave para sair dela. Merecemos mais do que isso. Precisamos de algo que nos faça arrepiar, que tire nossos pés do chão. Precisamos daquilo que sentíamos juntos no começo de tudo.
É por isso que te deixo ir. Mesmo sabendo que sentirei sua falta, mesmo que nos primeiros dias eu pense que fiz a maior loucura da minha vida. Talvez a gente se encontre por aí novamente, e, apenas talvez, se as mãos suarem e o coração bater mais rápido, saberei que fiz a coisa certa ao lhe deixar ir. Porque mesmo os melhores amantes da Terra precisam de um tempo para conhecer o mundo, assim como eu e você.

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