
Quando eu tinha sete anos, um garoto quebrou uma garrafa de vidro na minha cabeça porque eu estava usando uma bola de basquete e ele queria usá-la. Eu cresci ouvindo que mulher tinha que cuidar da casa, que não podia ser independente.
Aos treze anos, já era assediada por homens que andavam na rua. Aos dezesseis, um homem me jogou no chão e tentou me beijar à força. Aos dezessete, um ex-namorado deixou bem claro que eu não passava de uma vagabunda e disse que iria me matar.
Hoje, eu sou o reflexo disso tudo. Todos esses acontecimentos pelos quais passei me fizeram uma pessoa assustada. Tenho medo de andar sozinha à noite, de passar na frente de lugares com muitos homens. Fujo de relacionamentos, por medo de cair em abusos novamente. Tenho problemas de confiança e preciso lidar com isso todos os dias.
Eu sou uma pessoa aterrorizada, cheia de traumas e paranoias. Mas, além disso, sou uma mulher de luta, me esforçando para sobreviver todos os dias nesse mundo que mata mulheres todos os dias, um mundo em que os homens acham que têm direito ao corpo de todas as mulheres. Vou continuar lutando e, quanto mais eles tentarem me derrubar, mais eu irei me levantar, por todas as mulheres que não têm mais essa oportunidade.

Deixe um comentário