O burguês brasiliense

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O garoto achava que era dono do mundo. Desde pequeno, ensinaram-lhe que ele devia correr atrás de seus sonhos. Entretanto, nunca lhe mostraram que existiam outros tipos de pessoas, que não tiveram as mesmas oportunidades que ele.

Sempre vivera nas melhores casas do Plano Piloto, com seus pais – ou algum motorista – levando-lhe de um lado para o outro em seus compromissos. Inglês, futebol, violão, piano.

Nas poucas vezes em que anda a pé, passa pelos moradores de rua e faz cara de nojo. Acredita que tudo é uma questão de merecimento e se eles estão ali é porque não possuem capacidade de estar em outro lugar.

Aos 18 anos, o garoto ganha um carro de presente dos pais por ter entrado na faculdade. Aos 22, se forma no curso desejado e ganha uma empresa de presente do pai.

Faz seu trabalho durante a semana, tirando seu tempo de descanso para contar alguma piadinha homofóbica ou racista aos amigos ou espalhar um vídeo da vizinha transando com o ex-namorado para que todos possam ver quão puta ela é.

Aos sábados, sai para ostentar na balada. Quando quer uma garota, insiste a beija a força, mesmo que ela já tenha dito que não. Já transou com uma garota que estava desacordada, mas segundo ele, “bêbada na balada, ela estava pedindo”.

Apoia a redução da maioridade penal porque acredita que alguém “virou vagabundo porque quer” e ainda apoia a legalização das armas, para que “o cidadão de bem possa se defender”.

O garoto – que já não é mais garoto – apoia todas essas coisas e, em outubro, vai votar em um candidato que tenha esses pensamentos e que vai colocar “favelado vagabundo no lugar onde merece estar”.

Ele, por outro lado, chegou ao topo por merecimento. O mérito é unicamente seu e qualquer um poderia estar ali, se quisesse. Pena que nem todos têm a mesma força de vontade que ele, alguns preferem assaltar e matar “pessoas de bem”…

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Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.