4. Você passeia em um parque e encontra a rosa mais bonita que já viu

Minha respiração se mantém pesada, devido ao esforço da caminhada. Em meu fone de ouvido, escuto o último álbum da minha banda favorita. Tomo um gole de água e paro um momento para observar o parque ao meu redor.
De um lado, uma calçada de concreto, bancos de madeira e diversas pessoas correndo, tentando atingir um ideal de beleza que não é real. Do outro lado, o mundo se torna verde.
Árvores enormes se encontram com o céu azul, a um ponto em que não sei diferenciar os dois. Seus galhos balançam devagar, com a mesma brisa que refresca meu corpo.
No chão, galhos quebrados, folhas caídas, pequenos animais que correm de um lado para o outro, além da vegetação rasteira. Pergunto-me porque nunca prestei atenção naquilo antes. Porque ninguém ali parece dar a mínima para isso.
Tiro meus fones de ouvido e consigo ouvir os pássaros cantarem, mas o barulho de pessoas correndo e conversando ainda é muito alto. Ando para dentro da mata. Procuro no chão algum sinal de trilha, mas parece-me que ninguém veio até aqui.
Escuto o barulho das folhas e dos gravetos se quebrando à medida que ando, enquanto o som dos animais ali se torna cada vez mais alto. Desço uma pequena colina, segurando-me nas árvores para não cair.
Lá embaixo, encontro um rio pequeno, com água totalmente limpa. Ando pelas margens, até que algo chama minha atenção. Encostada em uma árvore, encontra-se uma rosa amarela. É a flor mais bonita que já vi.
Mas ela não pareceria bonita na visão de todos. A rosa não possui várias de suas pétalas, que estão jogadas no chão, enquanto outras estão murchas. Mesmo assim, ela se mantém ali, forte, como se decidida a não tombar.
Acabo me identificando um pouco com ela. Durante um bom tempo, meus olhos se mantêm focados na sofrida rosa amarela, que faz questão de permanecer em pé.
Uma boa parte da tarde se passa e eu noto que preciso voltar para casa. Com dificuldade, deixo de observar a rosa e me afasto, voltando pelo mesmo caminho que entrei.
Quando finalmente chego ao ponto por onde comecei, sinto a paz da mata atrás de mim novamente. E então volto para o mundo onde as pessoas correm, os chefes gritam, os carros buzinam e nós possuímos tudo, menos paz.

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