
7. Há um assassino em sua casa e você tem cinco minutos para convencê-lo a não te matar
O barulho que o vento faz ao sacudir as folhas das árvores e os vidros da janela parece fazer parte de uma cena de filme de terror. Uma grande tempestade se aproxima mas, dentro de casa, Jeannette despe-se para tomar seu banho quente.
A grande banheira de mármore tem, no mínimo, 60 anos. A casa fora construída quando os sogros de Jeannette se casaram e se tornou dela e de seu marido, Will, depois da morte dos donos.
Jeannette havia odiado se mudar de sua casa confortável no centro da cidade para essa casa de madeira no campo. Mas isso permitiu que ficasse mais tempo perto de seu amante, Kent.
Kent respirava alegria, enquanto Will só sabia reclamar sobre contas e problemas do trabalho. Jeannette estava farta. A única coisa que ela queria era relaxar em sua banheira, enquanto bebia um bom champanhe. E foi isso que ela fez nessa noite.
Com a taça em uma mão e o celular em outra – mandando mensagem para Kent -, Jeannette só quer aproveitar a noite, enquanto seu marido está de plantão no trabalho.
Às vinte e uma horas, a campainha toca. Jeannette sai correndo de seu quarto para abrir a porta. O cheiro do frango que ela prepara na cozinha já se espalhou pela casa toda e é a primeira coisa que Kent nota.
Depois do jantar, os dois se sentam no sofá da sala e conversam durante um longo tempo. Jeannette sente seu peito doer por causa de suas risadas eufóricas. De repente, escutam a madeira ranger.
Kent decide ir na parte da frente da casa verificar. Quando volta, não está mais sozinho. Um homem alto e magro, usando um capuz e uma máscara no rosto, segura o pescoço de Kent, enquanto seu revólver está apontado para a cabeça dele.
— O que está acontecendo aqui? – Jeannette grita, desesperada. – Você quer dinheiro? Posso dar o que quiser, só não o machuque.
O estrondo do tiro passa despercebido no meio dos barulhos de trovões. Kent cai no chão em um baque. Jeannette não tem coragem de se aproximar para ver se ele ainda está vivo.
O silêncio é ensurdecedor. Jeannette fica ali, bebendo lágrimas, apenas esperando o momento em que a bala atravessará seu corpo, destruindo tudo: órgãos, músculos, dores, paixões, pecados.
— Você se acha melhor do que todo mundo, não é mesmo, Jeannette?
Ele a puxa para uma cadeira e ela sente cordas grossas se enrolarem em seu corpo como cobras.
— Então é isso que você faz quando Will não está em casa?
Jeannette reconhece a voz. Mike. O melhor amigo de Will. A pessoa que ela já recebeu em sua casa inúmeras vezes. O simpático e agradável Mike.
— Mike? O que você está fazendo?
— Droga. – ele suspira e tira a máscara. – Você pensou que eu não iria descobrir da sua vida dupla? Enquanto Will trabalha, sua maravilhosa esposa transa com um qualquer. Mas isso vai mudar. Quando você morrer, serei eu a consolar Will. Ele vai ficar devastado, mas vai superar. E logo vai perceber quem realmente está ao seu lado e nós vamos ficar juntos.
— Eu não imaginava que você gostava de Will dessa maneira. – sua voz continua chorosa. – E eu não ligo. Se você quiser, posso sumir, se quiser. Posso deixar vocês dois em paz. Mas por favor Will, não me mate.
— Sinto muito, querida.
Um segundo barulho de tiro ecoa pela casa.

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