
10. Você ganha poderes e dá vida para o personagem do último livro que leu
Em meu relógio, vejo que passa de uma da manhã. Perdi a noção do tempo enquanto lia e preciso acordar cedo para ir à escola. Fecho o livro, colocando-o na estante. Meu último pensamento é sobre o quão divertido seria se o Harry Potter realmente existisse.
Meu despertador me faz levantar com um pulo. Escuto um resmungo no momento em que coloco os pés no que deveria ser o chão. Um garoto está deitado ali. Ele possui uma cicatriz na testa e óculos redondos estão posicionados sobre seu rosto.
— Quem é você? – pergunto, nervosa.
— Harry Potter, claro. Onde eu estou? Estava na casa dos Weasleys e acordei aqui.
— Isso só pode ser uma brincadeira dos meus pais. Eles falam que estou lendo muito os seus livros, devem ter feito isso para zombar de mim.
— Livros? Que livros? Eu nunca escrevi um livro.
— É lógico que você não escreveu. Você é um personagem. Foi a J.K Rowling quem escreveu.
— Eu sou o quê? – ele parece tão chocado quanto eu. – E quem é essa mulher?
— Você é um personagem, obviamente. Sua existência se deve a palavras que foram escritas sobre você. Espera aí. Você é realmente Harry Potter? – ele assente. – Você está na Austrália. Meu nome é Sam. – Estou sem palavras. Harry Potter está dentro da minha casa. – Preciso tirar você daqui, antes que meus pais lhe vejam. Você não pode nos teletransportar ou algo assim?
— Aparatar? Não, só tenho 16 anos, ainda não posso ter uma licença.
— Droga, acho que você vai ter que sair pela janela. Espere aqui. Eu vou tomar café da manhã e depois volto para lhe ajudar a sair.
Desço as escadas, correndo até a cozinha. Engulo o meu café da manhã o mais rápido possível e volto para o quarto, mas ele está vazio. Droga. Devo ter imaginado isso tudo.
Pego minha mochila e saio de casa, indo a caminho da escola. Sinto alguém me cutucar e, ao virar-me, vejo Harry. Respiro aliviada ao saber que não estava imaginando coisas.
— E então, para onde estamos indo? – ele pergunta.
— Para a escola.
— Ótimo. Sinto muita falta de Hogwarts nas férias.
— Nós não estamos indo para Hogwarts, porque Hogwarts não existe.
— O quê? Como assim?
— Eu já disse, Harry. Você é um personagem de uma série de livros. São sete livros contando a sua história descobrindo o mundo mágico, desde o momento em que você foi deixado na porta dos seus tios até o confronto final com Voldemort. Isso significa que nada daquilo existe, incluindo Hogwarts.
— Eu estou arrasado. Mas será que você pode me dizer como será o confronto final com Voldemort? Eu já estou meio cansado de ter que lutar com ele todo ano.
— Ainda não li essa parte. Estamos chegando na escola, se comporte e por favor, não faça nenhuma mágica.
O dia passa depressa. Todos os meus amigos ficam interessados em meu amigo que “se parece muito com Harry Potter” e ele logo se enturma. Ao final da aula, levo Harry de volta para minha casa.
— Ei, Sam. – ele se vira para mim. – Foi um dia legal. Me diverti muito com você, por mais que tenha destruído todas as minhas ilusões.
— Está tudo bem. Provavelmente eu também sou um personagem e uma garota de um outro país deve estar escrevendo esta história agora.
— É, quem sabe? – ele ri e se aproxima de mim.
No momento em que os dois vão se beijar, Harry recebe um cutucão e acorda num susto. Está de volta n’A Toca e Rony está parado em sua frente.
— Eu tive o sonho mais estranho hoje, Ron.
— O que aconteceu?
— Sonhei que estava na Austrália com uma garota chamada Sam e ela me contou que eu era um personagem de um livro escrito por uma tal J.K. Rowles, ou algo assim.
— Que viagem, Harry. Agora vai se arrumar ou nos atrasaremos para pegar o Expresso de Hogwarts.

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