14. Você encontra com a Morte e pode escolher como e quando irá partir

Imagem: We Heart It

A Morte não é tão feia como dizem. Para ser bem sincero, minha primeira impressão dela me diz que é simpática e compreensiva. Por mais que utilize aquelas vestes pesadas, sua voz é doce e calma, o que acaba sendo um pouco surpreendente para mim.

Ela chegou em minha casa numa quinta-feira à tarde. Preparava-me para voltar ao trabalho depois do almoço quando senti uma mão gelada em meu ombro. Muito calma, ela me explicou quem era e disse que eu precisava acompanhá-la. Falava tão tranquila que parecia estar me convidando para um jantar.

Educadamente, recusei seu convite. Ela insistiu, afirmando que minha hora tinha chegado e que eu precisava partir. Expliquei com calma os motivos pelos quais eu não poderia ir. Ainda naquela tarde, precisava entregar oito projetos para o meu chefe. No dia seguinte, faria uma viagem de negócios para o México para apresentar mais dez projetos.

Na segunda-feira, teria uma reunião na escola de minha filha, e na terça eu precisaria, além de entregar mais vinte projetos, levar minha mãe no hospital para uma consulta. E, além disso, eu precisava limpar a casa, organizar todas as minhas pastas do trabalho e cuidar do gato.

E então eu disse a ela que se ela realmente fizesse questão de me levar eu iria, mas logo em seguida ela teria que levar várias outras pessoas, por exaustão.

A Morte, muito simpática, deu um tapinha no meu ombro e disse que voltaria outro dia, para que eu a informasse quando e como ela poderia me buscar. Sorriu e foi embora. Acho que ela não está muito a fim de trabalhar essa semana.

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Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.