
O dia amanhece ensolarado. Depois de comer dois pães e tomar um café quentinho preparado por minha avó, ando até o jardim. Aos nove anos, o maior contato com a natureza que possuo é o jardim de sua casa – onde as visitas são cada vez menos frequentes, por conta de minha mudança para a capital do país.
Reparo em cada canto deste jardim: o verde vivo das folhas, o pé de milho que cresce de maneira imperceptível, as frutas caídas e os pequenos animais que ali habitam. Observo um caracol se locomovendo, enquanto deixa um fluido pela folha onde passa.
Sem pensar duas vezes, estendo minha mão para que ele deslize até ela. Surpreendentemente, ele o faz. Passo a manhã toda transportando-o de uma folha para a outra. Depois do almoço, volto a fazer o mesmo. Minha avó só percebe que estou brincando com caracóis no final da tarde. Ela pede para que eu não faça mais isso e me avisa que está na hora de tomar banho.
Depois do jantar, deito-me em sua barriga para ver TV e aproveito esta paz que só existe em casa de vó. Do lado de fora, os caracóis deslizam, desbravando este grande universo do quintal e deixando rastros por onde passam.

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