16. Você acorda em um lugar, um país estranho, e não se lembra como foi parar lá

Levanto de minha cama sentindo-me renovada após uma longa noite de sono. Alongo cada parte de meu corpo, sentindo aquela preguiça matinal. Quando abro os olhos, não reconheço o lugar onde estou. A cama é comprida e larga, as paredes rosadas, e um pôster de algo que se parece um gato está pendurado ao lado da cama. Onde estão todas as minhas coisas? Cadê a minha cama média, meus pôsteres do Bruno Mars e meu celular? E onde está meu cachorro?

Passo os olhos pelo quarto e tenho um sobressalto ao perceber que não estou sozinha. Não o teria visto se não estivesse examinando milimetricamente o quarto. O homem veste uma blusa branca e uma calça azul e parece coberto com algum tecido amarelo. Seu rosto está escondido nas sombras e vejo apenas grandes olhos a me fitarem com interesse.

– Quem é você? – a voz quase não sai. – Onde eu estou? Por favor, não me machuque. Eu não sei quem você é e não vou contar para ninguém que me prendeu aqui mas, por favor, não me machuque.

– Eu te prendi? Haha, essa é engraçada. – o homem anda em minha direção e eu percebo que ele não tinha tecidos amarelos, na verdade, ele era completamente amarelo. – Ei, não se assuste. – tento me grudar ainda mais na cama, como se houvesse espaço suficiente. – Meu nome é Homer Simpson. – ele estende a mão pra mim e eu o encaro assustada. – Não tem porque ter medo de mim, garotinha. Não existe ninguém nessa cidade que não goste de Homer Simpson!

Neste momento, outro homem, também amarelo, caminha pela rua, bem próximo à janela do quarto. Ele vê Homer e dá um sorriso, dizendo:

– Ei Homer! O que está fazendo?

– Ahhh, cala a boca, Flanders! – retruca e depois vira-se para mim. – Então, como eu estava dizendo, sou Homer e você está na minha casa, em Springfield. Este é o quarto do meu filho Bart, aquele… – ele dá um leve grito de raiva e escutamos batidas na porta. – Ah! – grita. – Deve ser minha esposa, Marge.

Uma mulher amarela de um alto cabelo azul entra no quarto. Ela usa um vestido verde, e colar e sapatos vermelhos. Ela sorri para mim com afeto e começa a falar sobre comida, a vizinhança e sua família. Sua voz vai ficando cada vez mais baixa e eu vou perdendo o foco, até não enxergar mais nada. Abro os olhos novamente. Estou no meu quarto, com meus pôsteres do Bruno Mars e meu celular. Acho que estou assistindo aos Simpsons demais.

Volto a dormir.

Dois grandes olhos brilham no canto do quarto.

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Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.