
Nos últimos tempos, tenho viajado bastante: uma viagem de um mês pela Europa, logo em seguida Porto Alegre e então Uberaba, Goiânia, Viçosa e Belo Horizonte. Fiz estas viagens com objetivos distintos: conhecer novos lugares, fazer uma prova de mestrado, ir a uma festa de réveillon e visitar a família.
Fato é que finalmente parei em casa e agora tenho tempo para escrever algo.
Quando minha mãe e eu planejamos a viagem pela Europa, não imaginávamos que seria tão cansativo. Claro que pensávamos que ir de uma cidade a outra, permanecendo em média três dias em cada uma delas, nos cansaria, mas não imaginávamos a exaustão física e espiritual do fim da viagem.
Vimos de tudo: paisagens, construções exuberantes, culinária local e museus, muitos museus. Entramos em tantos museus que, no final, não sabíamos dizer se vimos certa obra no Stadel ou no Musée d’Orsay ou se realmente chegamos a vê-la.
No final da viagem, estava cansada, não apenas de bater perna, mas de ter que me comunicar com todos. Prefiro escrever mas, como minha mãe não fala inglês e nem falávamos os idiomas locais, toda a conversa ficou por minha conta. Assim, no avião de Barcelona para Lisboa, estava animada com a perspectiva de me manter em silêncio ou falar apenas na minha língua materna.
O avião estava lotado de falantes do português, principalmente brasileiros. Podia ouvir uma mãe dizendo ao filho para parar com a birra; um grupo de jovens comentando sobre seu itinerário e uma mulher perguntando à aeromoça onde ficava o banheiro. O acalanto do idioma e o fato de que seria o último destino antes da volta para casa fizeram-me sentir mais perto do Brasil do que em todo o tempo anterior. Era como se estivéssemos em um avião para o Rio de Janeiro.
Então, uma comissária de bordo parou na minha frente com o carrinho de lanches e, depois de me entregar chips e Coca-Cola, perguntou:
— Tchá ô café?
— Sim – eu respondi.

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