
Um advogado e sua cliente conversando:
— Sra. Morrison, acho que deve aceitar o acordo. Se levar o caso para o juiz, com certeza terá que ceder ainda mais.
— Não, não quero que ele fique nem com um centavo.
— Mas ele foi de grande ajuda no começo de sua empresa. Além do mais, ele precisa cuidar das crianças. A não ser que queira pedir a guarda delas.
— Claro que não. Uma mulher de negócios como eu não tem tempo para isso. Crianças dão muito trabalho, fazem birra por tudo, além de me impedir de levar homens para casa. É melhor que elas fiquem com ele. Posso mandar um valor razoável, como um salário mínimo para cada. Não está bom? Mais do que isso e acabarei sustentando o meu ex-marido a vida inteira. – ela se joga no sofá e pega seu telefone. – Falando no traste… Este homem não presta, agora está andando de iate com os amigos mas não quer mostrar a velha pagando isto tudo. Enquanto eu tenho que trabalhar oito horas por dia, o esperto fica com essas mulheres que bancam tudo. Está decidido, nenhum centavo para ele e três salários para as crianças. Acho que é mais do que suficiente.
— Sra. Morrison…
— Srta., por favor.
— Srta. Morrison, as coisas não funcionam dessa maneira. Vocês se casaram com comunhão parcial de bens, o que significa que o que adquiriram depois do casamento se enquadra na partilha, incluindo a empresa. E como hoje você ganha mais de cem milhões por ano, o juiz não vai permitir que você fique com a toda a empresa e pague apenas um salário de pensão para cada criança.
— Mas por que não? É uma quantia mais que generosa. Inúmeras mães nem pagam pensão para os filhos. Veja quão boa eu sou, nunca deixaria meus filhos desamparados, sem dinheiro algum. Acredito que mais do que isso seria prejudicial para eles, cresceriam mimados e sem saber conseguir sua própria fonte de sustento.
— O juiz nunca permitiria isso, muito menos seu marido.
— Ex-marido, por favor. O que posso fazer então? – ela anda de um lado para o outro. – Já sei! Vou passar a empresa para o nome da minha mãe e vamos pedir a guarda das crianças. Posso colocá-los para estudar em um internato, assim eles não vão atrapalhar os meus planos. E dessa maneira, não teremos que dar um centavo para este picareta e poderemos economizar na pensão das crianças.
— Mas Srta., seu marido faz questão de ficar com as crianças. E você não pode simplesmente passar a empresa para o nome de sua mãe.
— Não ligo para o que ele quer. Posso e vou fazer isso, com a sua ajuda. Ou você não é o melhor advogado desta cidade?

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