Contos de fada

Seus olhos brilhavam como mil sois. Os cabelos estavam cobertos de flores. Embaixo dela, a grama afagava seu corpo, enquanto ela recebia uma ou outra picada de formiga. Nas mãos, um livro sobre histórias extraordinárias, que recebera de uma freira e que ela, não sabendo ler, apenas folheava, observando as imagens.

Conseguia, entretanto, ver-se naquelas histórias, lutando contra os vilões e ajudando a reestabelecer a paz. Imaginava-se em grandes castelos onde um príncipe estava preso e ela seria sua heroína. Acreditando em herois, fugia da realidade, onde não existiam mocinhos nem vilões, apenas pessoas tentando sobreviver e lutando pelos seus interesses.

Sua família havia decidido a educar em casa, para que ela pudesse “aprender em um ambiente mais amigável”, disseram eles ao governo. Ela animou-se, crendo que adentraria terrenos inexplorados. Entretanto, nunca a deixavam tocar em um livro sequer e, quando ela perguntava sobre as aulas, sua mãe dizia que ela devia voltar para o trabalho na plantação. Eles acreditavam que estudar era irrelevante. Mas a garota, com apenas seis anos, já sabia que o mundo ainda mudaria por conta disso.

— Maria, o que está fazendo? – sua mãe gritava. – Espero que não esteja mexendo com aquele livro idiota de novo, se não você vai se ver comigo.

Rapidamente, a garota colocava seu livro em um buraco na terra, sabendo que um dia a educação mudaria a sua vida.

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Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.