
A respiração é falha, exausta pelo esforço. Continuo tentando alcançá-lo, mas ele parece estar a milhas de distância. Não faz nem questão de olhar para trás.
Limpo as lágrimas na manga do casaco. Grito seu nome, na esperança de que ele me espere. Ele pára. Acelero ainda mais os passos, com medo de que ele volte a correr sem nenhum aviso.
Por fim, posso sentir seu cheiro e ver seu rosto. Ele não me diz nada, nem olha para mim. É como se estivesse tão distante quanto antes. Neste momento, sinto como se o mundo repetisse um padrão. Algo não parece certo, mas não sei se tal sensação é fruto de um sentimento de culpa ou se trata de mais uma de minhas paranoias.
Tento me aproximar ainda mais, estendendo minha mão para tocá-lo. Vejo-o se afastar outra vez, correndo de cabeça baixa, com medo de olhar-me nos olhos.
Tento voltar a correr mas as pernas não me obedecem. Jogo-me no chão, chorando enquanto o perco de vista.

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