
A mensagem aparece na tela do meu celular. Levanto-me da cama e deixo minha mulher dormindo.
Ao entrar no carro, percebo que minhas mãos tremem. Saio pelas ruas desertas. Já passam das quatro da manhã. Tenho pouco tempo para fazer isso.
Paro no mercado do quarteirão e pego uma caixa de cereais, mesmo sem leite para acompanhar. Deixo o pequeno dispositivo acoplado na prateleira. Pago e volto para o carro. Alguns minutos depois, estaciono no meio da ponte, abro as janelas e sinto o vento afagar meus cabelos. Suspiro e como um pouco de cereal, enquanto meu coração tenta sair do peito.
Então, apoio-me nas barras de metal da ponte, que parecem pedras de gelo, mesmo que não esteja muito frio. A sensação é de que meus dedos vão congelar a qualquer momento.
Sem pensar duas vezes, faço meu corpo pender em direção à água, gerando um leve ruído. Apesar do aspecto devastador disso para mim, o mundo permanece o mesmo que antes. Ou talvez não.

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