Bola perdida

A quadra de futebol está lotada. O garoto de chuteira vermelha lança a bola para longe, fazendo-a parar em minha frente.

Seguro a bola e lembro-me de minha época. Eu amava jogar futebol, mas sempre fui péssimo. Só deixavam que eu jogasse porque meu irmão era o garoto mais popular da escola. E mesmo assim todos me olhavam de cara feia e gritavam comigo quando errava o chute. Eu tentava ignorar, mas ficava nervoso e cometia cada vez mais erros.

Esse não era o maior dos problemas. Havia um senhor que morava na rua da quadra e ele detestava nos ver ali. Por isso, sempre que estava passando e a bola caía ao lado dele, o homem a levava para casa.

Eu não entendia o motivo disso. Uma pessoa devia ser muito inconformada com a vida para roubar a bola de uma criança. E foi por isso que prometi a mim mesmo que nunca faria algo assim.

Agora, estou amargurado e irritado com aqueles garotos e com todo o barulho. E foi por isso também que peguei a bola e fui para casa, ignorando os gritos de revolta.

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Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.