
Um corte profundo em minha mão direita. Pedaços de vidro espalhados pelo quarto. Meu coração bate forte acompanhando o ritmo da música tocando no andar de baixo.
Quero ir até lá e desligar esta merda, mas minhas pernas não se movem. Escuto suas risadas no jardim. Quero gritar. Gritar até que minha garganta exploda e me espernear como uma criança pequena.
Tenho vontade de dizer a ela que não aguento mais isso, que não vou mais fingir estar dormindo. Desta vez eu revidei. Estou machucada mas com certeza ele também está. Quis mostrar a ele que não sou uma adolescente idiota. Já que ele insiste em me ferir, vou fazer o mesmo.
Diferente de mim, ele está no jardim, rindo com a minha família. Já deve ter feito um curativo, enquanto meu sangue continua a pingar no tapete.
Eu sei que isto não vai ficar assim. Logo que a noite cair e todos os meus familiares forem embora, ele virá se vingar. Mas, quando este momento chegar, eu estarei preparada.

Deixe um comentário