Imagem: We Heart It

24. Você é um pintor e tenta explicar como é quando coloca os sentimentos na tela

O pincel move-se por conta própria. Pareço sério, concentrado, mas, em mim, as emoções explodem. O que aparecerá nesta pintura? Eu não faço ideia do que estou fazendo, porém continuo mesmo assim.

Muitas vezes, surpreendo-me com o resultado final. Posso ter uma obra alegre e bela. Ou um dos meus segredos mais ocultos pode ser revelado. Ou então posso me deparar com algo que temo. Os meus maiores medos, desejos e sentimentos estão ali, escancarados, para quem quiser ver.

Sinto-me nu, exposto, completamente vulnerável. Mas aqueles que veem os meus quadros não percebem isso. Não percebem que o meu próprio sangue está ali. Em cada traço, cada pincelada, manchando e borrando todas as cores que marcaram a tela em branco, desfazendo-se de mim para criar o novo.

Um quadro com vida própria. Com personagens que andam, respiram, falam. Personagens que criei, mas que não mais dependem de mim. Agora, eles vivem por si próprios, entretendo aqueles que os observam.

Não tenho mais o que fazer neste momento. Eles estão prontos, para o mundo e para si mesmos. E a única coisa que me resta é iniciar um novo quadro, sem saber o que esperar dele. Sem saber se meus segredos serão finalmente expostos ou se todos terão apenas uma bela obra para apreciar.

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Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.