Dia ensolarado

Ao sair de casa naquele dia, Carlos estava animado. Desceu as escadas de seu prédio rapidamente, pulando na poça d’água que estava ali. Não ligou e continuou andando até o café. Ele pulava de um lado para o outro, balançando-se ao ritmo da música em seus fones. As pessoas o observavam, mas ele não ligava. Ele tinha certeza de que aquele era seu dia.

Entrou no café e se sentou em uma mesinha ao fundo. Pegou o celular para ver se tinha recebido uma mensagem da moça. Nada. Ele digitou “Bom dia! Já estou no café. Está chegando?”.

Uma rapaz de avental na cintura veio atendê-lo. Carlos pediu um cappuccino e voltou a olhar seu celular. A mensagem havia sido entregue, mas ela não havia visualizado. Logo sua bebida chegou e Carlos começou a dar pequenos goles, enquanto fixava o olhar em seu telefone.

Para se distrair, começou a observar as outras pessoas na cafeteria. A maioria delas estava acompanhada por amigos ou familiares. Em outro canto, um homem sozinho escrevia algo em seu notebook. Trabalhando em pleno domingo? Que coisa mais triste. Carlos, há muito, havia aprendido a lidar com seu trabalho e a reservar dias ao descanso.

Tudo que ele queria era se encontrar com aquela moça e depois sair para aproveitar o primeiro dia ensolarado no Rio de Janeiro naquele mês. Talvez eles pudessem ir à praia, ou apenas se sentarem em um restaurante para almoçarem. Mas, para isso, ele precisaria que ela chegasse.

Quinze, vinte, trinta minutos se passaram. Ela não tinha visualizado a mensagem e nem ligado. Depois de uma hora esperando ali, Carlos pagou seu café e foi embora. Refez o caminho para casa, andando em linha reta. Tinha levado um bolo. Ele foi um idiota ao pensar que aquele dia seria maravilhoso.

Decidiu passar no mercado antes de voltar para casa para comprar uma pizza individual. Ao sair de lá, acabou esbarrando em alguém. Era a moça com quem ele deveria ter se encontrado. Ela estava suada e sem fôlego, parecia ter corrido uma maratona.

— Carlos? – ele assentiu. – Sou Maria. Você deve ter ficado um longo tempo me esperando, não é? – ele confirmou. – Ai meu Deus, eu estou com tanta vergonha. Me desculpe. Eu saí de casa mais cedo para poder comprar um presente para o meu filho, que faz aniversário amanhã. Quando eu estava chegando na loja, descobri que tinha esquecido o celular no táxi. Tive que correr atrás do motorista e não consegui chegar a tempo. Estava a caminho do café agora. Eu sinto muito, de verdade.

E assim, em um segundo, toda a tristeza de Carlos passou. Eles decidiram ir até a praia. A pizza individual acabou sendo esquecida em um canto e o almoço, neste dia e em muitos outros, foi para dois.

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Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.