
Um barulho alto vem do outro quarto. Será que devo ir até lá? Seria mesmo necessário? Aguardo mais alguns instantes, sem saber como agir.
Agora, tudo está em silêncio. O que teria acontecido? Eu não devia tê-la deixado sozinha. Ela disse que estava assustada, que tinha medo dele. Mesmo assim, eu disse que os dois deveriam conversar. Imaginei que era só mais uma briga de casal, que eles logo se resolveriam.
Mais uma vez o mesmo barulho. Será que ele a agrediu? Pode ser que sim. Mas podem estar só transando. Preciso ter certeza primeiro. Não quero entrar e encontrar os dois pelados na cama. Além disso, ela não me deu o sinal que combinamos.
Se ela realmente estivesse em perigo, gritaria “árvore” e eu entraria no quarto. Combinamos isto ontem à noite, quando ela estava deitada em minha cama, conversando. Este seria o sinal de que as coisas não andavam bem. E não ouvi nada parecido com isto.
Mas, ela pode não ter dado o sinal por estar com a boca tapada. Ou pode já estar morta. Penso que não, que isso não seria possível. Eu teria ouvido alguma coisa. A não ser que ele a tivesse asfixiado.
Preciso afastar esses pensamentos o mais rápido possível. Vou até a cozinha pegar um copo d’água. O copo cai das minhas mãos e, em seguida, ouço a porta abrir. Ele sai do quarto e, sem dizer uma palavra, vai embora. Vou até o quarto e a encontro com o nariz cortado. Ela está desacordada e talvez este seja o motivo de não ter me avisado. Meu coração dói. Sinto que falhei. Eu deveria ter entrado antes.

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