Área de testes

Meus pés tocam o chão gelado. Sinto um arrepio imediato, mas logo meu corpo se acostuma com o frio. Arranco o avental, ficando totalmente nua. Vai ser mais fácil me esconder desta maneira.

Com os passos incertos, avanço até a porta. Não vejo ninguém no corredor. Então, sigo rapidamente, passando por todos aqueles locais e máquinas que conheço tão bem. Ainda consigo sentir as dores de cabeça, que vinham com cada um dos choques. Ainda tenho as marcas das amarras que fizeram em mim.

Não tenho nenhuma dificuldade para chegar até a porta do edifício. Isso me deixa confusa, mas o fato é que eu me sinto livre. Não me importa se eles foram mortos ou presos. O importante é conseguir sair daqui.

Quando vejo a porta, suspiro. Finalmente poderei sentir o sol em meu rosto, o vento batendo em meu corpo. Com muita dificuldade abro a porta de ferro. Espero ser atingida pelos raios solares, mas a única coisa que vejo é fumaça.

Meus olhos se acostumam com a fumaça e vejo. Não há mais nada inteiro no meu campo de visão. Tudo foi destruído. Então, vejo algo vindo em minha direção. Escondo-me atrás da porta, achando se tratar de um animal. Quando percebo que é um ser humano, respiro mais aliviada, pensando que alguém vai me salvar.

Então, percebo que é ele. Sinto uma vontade urgente de vomitar.

— Vamos precisar repovoar esta parte do planeta, querida. – ele diz e me carrega em suas costas. 

Deixe um comentário

Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.