
O cheiro de menta com chocolate. Os olhos vermelhos de uma noite sem dormir. Observo seu rosto, frio. Parece que não existe nenhum rastro de bondade por ali. A fumaça que sai de sua boca comprova que é tão gelado quanto parece ser.
Suspiro enquanto me aperto contra você. A moto está em alta velocidade e, em segredo, imploro para que você me deixe cair. Para que me esqueça no meio do caminho e não olhe para trás.
Meus dedos agora não seguram sua cintura com firmeza. Pouco a pouco eles se soltam, afastando-me cada vez mais de você. Empurro um pouco meu corpo para trás e em instantes estou no chão.
A pancada inicial faz com que eu ache que quebrei todos os ossos do meu corpo. Você continua acelerando, sem nem notar que o veículo ficou mais leve. E eu aqui, ferida, no chão, enquanto o sangue escorre por minhas pernas e braços. Continuo preocupada e sem saber como voltar pra casa. Um grito sai de meus lábios quando me apoio para ficar de pé.

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