
Ela acendeu os farois do carro. Remexeu-se no banco, ajustando o vestido preto. Antes de sair, colocou sua música favorita para tocar. Saiu cantando pneu e, em poucos minutos, já estava na estrada.
Sua cabeça estava a milhão. Por um lado, sentia-se culpada de tê-lo abandonado. Sim, ele era grosseiro, mal humorado e agressivo. Ele havia batido nela algumas vezes, mas sempre se arrependia. Sempre a recompensava, fosse com presentes, um jantar especial ou apenas sendo o homem mais carinhoso do mundo. Porque, apesar de tudo, ele conseguia ser essa pessoa.
Por outro lado, ela se sentia livre. Livre das lágrimas e dos sentimentos ruins que as faziam correr. Da maneira como ele a fazia se sentir culpada por ter apanhado. Da maneira como ele se achava muito melhor do que ela. Livre para colocar seu vestido preto curto e sair de casa no horário que ela quiser. Livre para fazer o que quisesse.
As lágrimas escorriam sem parar, mas ela nunca havia se sentido tão viva.

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