Chamada de emergência

Se lhe contassem que isto aconteceria, ela não acreditaria. No mundo que durou até receber aquele telefonema, ela nunca faria algo assim. Mas agora está acontecendo.

Ela acha que está fazendo a coisa certa. Se roubar a moto do colega é a chave para se salvar, que assim seja. 

Com a chave, que pegou em cima da mesa dele, ela liga a moto. Faz muito tempo que ela não dirige, mas aposta que deve ser como aprender a andar de bicicleta: não se esquece. Não que ela tenha aprendido a andar de bicicleta algum dia. 

Anda o mais rápido que pode, deixando os rostos conhecidos para trás. A cada rua que cruza, pensa que a outra pode estar ainda mais perto. Então, acelera e, diversas vezes, tem que se esforçar para não bater a moto contra a parede ou se jogar para cima de um carro.

Chega na porta da escola e é recebida pelo porteiro, com quem já conversou diversas vezes. Instintivamente, ela sabe que chegou tarde demais. Mas o que ele diz faz com que tudo desabe:

— Amélia, uma moça acabou de buscar sua filha. 

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Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.