
Se lhe contassem que isto aconteceria, ela não acreditaria. No mundo que durou até receber aquele telefonema, ela nunca faria algo assim. Mas agora está acontecendo.
Ela acha que está fazendo a coisa certa. Se roubar a moto do colega é a chave para se salvar, que assim seja.
Com a chave, que pegou em cima da mesa dele, ela liga a moto. Faz muito tempo que ela não dirige, mas aposta que deve ser como aprender a andar de bicicleta: não se esquece. Não que ela tenha aprendido a andar de bicicleta algum dia.
Anda o mais rápido que pode, deixando os rostos conhecidos para trás. A cada rua que cruza, pensa que a outra pode estar ainda mais perto. Então, acelera e, diversas vezes, tem que se esforçar para não bater a moto contra a parede ou se jogar para cima de um carro.
Chega na porta da escola e é recebida pelo porteiro, com quem já conversou diversas vezes. Instintivamente, ela sabe que chegou tarde demais. Mas o que ele diz faz com que tudo desabe:
— Amélia, uma moça acabou de buscar sua filha.

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