Confiança quebrada

As marcas de arranhões continuam em seu braço. Sente uma dor aguda em sua perna esquerda, onde uma gaze tapa um ferimento que continua a sangrar. Ela olha ao redor, tentando relembrar o que aconteceu. Ele está deitado ao seu lado e a mão enorme repousa tranquilamente sobre seu seio direito. Lentamente, ela o afasta. Suspira aliviada quando percebe que ele não acordou. 

Vê seu vestido jogado sobre a cadeira, mas, em segundos, decide que é perigoso demais tentar pegá-lo. Sai do quarto e, ao começar a andar, percebe que está tremendo. Apoiada nas paredes do corredor, anda na direção da sala. Nenhuma luz natural é visível dali, apenas a luz amarela da lâmpada velha no teto.

É difícil chegar ao final do corredor se sentindo tão mal. Demora tanto que considera arrancar sua própria perna, caso isso a ajude a sair rápido dali. Diz para si mesma que não precisa continuar sentindo dor, que a dor pode ser controlada pelo cérebro. 

Chega ao final do corredor e acende a luz. Procura uma porta, mas não há nenhuma. Também não encontra nenhuma janela. Nas paredes, ela vê diversas fotos suas, tiradas em momentos aleatórios na rua. Olha mais uma vez para os lados. Isso não é uma sala. Não é uma sala. 

Segundos depois, sente um ar quente em seu pescoço. O homem está atrás dela e uma faca foi colocada em sua garganta. Logo a voz rouca chega a seus ouvidos. Ela não sabe dizer se ele está com raiva.

— Você prometeu que não iria embora. – ele sussurra. – Eu confiei em você, mas agora vejo que você é malvada. Mas tudo bem, porque aprendi a lidar com garotas malvadas como você.

Não, não é raiva. É decepção. 

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Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.