Desabado

Os cortes continuam a arder. Arrasto-me entre os destroços sem saber para onde estou indo.
Em momento algum de minha vida, imaginei passar por uma situação destas. Mas aqui estou. Lutando para sobreviver entre os pedaços de madeira que parecem pesar mais que um carro.
Então, entre todos estes objetos rígidos, sinto algo macio em minha mão. Afasto-me ao perceber o quanto está gelado. Então, coloco a mão mais uma vez e percebo que é um corpo. O corpo dele.
Ele, que algumas horas atrás me obrigava a fazer o que queria, agora está aqui, sem vida, seu corpo completamente vulnerável.
Mas não quero pensar nisso, não mais. Então continuo me arrastando, buscando cada vez mais a luz do sol, pedindo a mim mesma para acordar em algum lugar bem longe daqui.

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Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.