
— Temos que ir. – ela sussurra e sua voz parece grudar em mim feito chiclete.
Sinto sua mão gelada encostar na minha mas, ao contrário das outras vezes, sem carinho algum.
Quero dizer a ela que não quero ir. Quero que ela me abrace até que a tremedeira passe e até que eu consiga respirar novamente.
Ela puxa alguns de meus dedos, mas eu me mantenho firme. Não quero sair daqui, não agora.
Quero aguentar as consequências dos meus atos, observar o que fiz com minhas próprias mãos até que o vômito que está preso em minha garganta não consiga mais ser segurado.
— Não podemos mais esperar. – sua voz é fria. – Precisamos sair daqui.
Mas eu não consigo. Meus pés se mantém fixos no chão, colados ao sangue que já começa a secar. Fico observando o corpo no chão, com os olhos esbugalhados e a aparência de uma imagem congelada.
E então, barulhos de sirene. A garota ao meu lado faz algo que eu nunca imaginei. Mais rápido do que eu posso perceber, ela sai correndo da casa, me deixando aqui. Sozinho. Depois de ter prometido uma vida toda comigo. Depois de eu ter violado os meus valores por causa dela.

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