
Marcele levantou tarde, como fazia todos os dias. Odiava despertadores e, não sendo obrigada a usá-los, dormia até a hora que seu corpo pedia.
Desceu para tomar café e, como sempre, a mesa já estava posta. Enquanto comia, rolava os dedos pelo feed do Instagram, vendo as fotos de suas amigas ao lado de algum famoso nas baladas exclusivíssimas que costumavam frequentar. Deixou algumas curtidas nas fotos, ignorando as notificações de notícias que insistiam em aparecer na tela.
Levantou-se da mesa, deixando os restos de comida jogados no prato. E então, como fazia todas as manhãs, andou até seu estúdio, um cômodo anexo à casa em que nenhum dos seus funcionários tinha autorização para entrar.
Abriu a porta com o reconhecimento da sua íris e acendeu a luz do ambiente. Observou seus inúmeros aparelhos de som e imaginou como seria a gravação de hoje. Mais agudos? Talvez alguns gritos? Seu coração acelerava só de pensar nisso e ela mal via a hora de começar.
Então, do outro lado do vidro, ela viu o seu ator favorito, a quem ela tinha acompanhado em tantos e tantos programas de TV. Seu peito desnudo mostrava que ele já tinha emagrecido bastante na última semana que estava ali, já que nunca tocava na comida que ela trazia. Seus braços, antes fortes, estavam presos na parede com o auxílio de correntes.
Marcele sorriu e pegou um dos alicates de cima da mesa, pronta para arrancar mais uma de suas unhas do pé. Antes de entrar no cômodo, certificou-se de que todo o som seria captado pelos seus aparelhos caríssimos.

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