
Américo sentiu, mais uma vez, aquele cheiro peculiar. A maioria das pessoas diria que é um cheiro ruim, mas não para ele.
Levantou-se da cama e andou em direção ao quarto de hóspedes. Encontrou-a ali, totalmente despida, deitada de barriga para baixo. Ficou algum tempo observando-a, sentindo o desejo crescer dentro de si. Levou a mão ao zíper e, quando viu, seu corpo já estava no dela.
Depois, já satisfeito, virou-a de barriga para cima. Deteve-se por um momento para olhar seu rosto. Tão linda, tão delicada. Pena que seus olhos sem vida combinem tanto com a sua pele fria neste momento.
Aproxima-se para beijá-la e, então, um barulho alto o desperta. Acordado de seu belo sonho, percebe estar em sua cela, com colegas que acabam de iniciar uma discussão sobre o que quer seja.
Américo pula da cama e começa a discursar sobre amar uns aos outros, algo que aprendeu nos cultos na prisão, os quais ele auxilia diariamente, como símbolo de sua vida totalmente reabilitada.

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