Prova de amor

— Quantos cigarros você precisa fumar por dia? – ela me pergunta e eu solto a fumaça na cara dela.
— 20, 40, sei lá. Por quê?
— Nada.
Ela dá de ombros e eu também. Passamos uns vinte minutos sem falar nada, até que ela diz que vai embora. Me convida para irmos juntos, mas recuso. Despeço-me dela e continuo ali, olhando atento para o meu livro, ignorando todos os problemas financeiros.
Horas depois, mudo de ideia e me decido a encontrá-la. Subo as escadas do seu prédio e bato na porta. Quando ela abre, sorri para mim pela beirada da porta. Tento entrar na casa, mas ela não me deixa. Pede para que volte depois. Nego. Digo a ela que pode me contar o que quiser e ela balança a cabeça.
Forço a porta e finalmente consigo entrar. Não sei porque ela parece tão preocupada, já que a casa está bem arrumada.
Mas, quando entro em seu quarto, vejo uma pilha de cigarros da marca que eu fumo. Olhando para baixo, vejo um homem caído, sua cabeça coberta de sangue.
Olho para ela, que começa a chorar:
— Foi um acidente. Eu só queria te ajudar com os seus cigarros, mas não tinha dinheiro. Então, acabou acontecendo. Eu estou tão arrependida…
Fixo meu olhar nela e percebo que está mentindo. Ela não está nem um pouco arrependida.
E isso, estranhamente, faz uma corrente de excitação correr pelo meu corpo. Passo meus braços em volta dela e a jogo na cama, beijando seu corpo todo.

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Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.