
Vejo uma mancha de papel carbono sobre a mesa. Estranho. Há tempos não via isso, mas sabia bem o que era. Os anos todos trabalhando em comércio me treinaram bem para isso.
Ao fundo, sinto cheiro de rosas. Sempre foram as minhas flores favoritas, até meu ex-namorado acabar com tudo. No dia em que terminamos, ele me deu um buquê de rosas e um beijo no rosto, dizendo que nunca iria me esquecer, mas que precisava ver o mundo.
Ouço uma música tocar, vinda do meu quarto. Ando até lá, sentindo meu coração sair pela boca. Eu não me lembro de ter deixado a música ligada antes de sair.
Quando chego lá, fico em choque por um momento. Ali está ele, o homem que me fez chorar por anos e anos, acreditando que nunca encontraria alguém igual a ele. A pessoa que, durante muito tempo, eu acreditei ser o homem da minha vida. Ao seu lado, vários e vários buquês de rosas.
— Oi. – ele sorri.
— O que você tá fazendo aqui?
— Estava com saudade. Vim te reconquistar.
— E, em algum momento, você achou que seria legal entrar na minha casa sem me perguntar nada?
— Você nunca me pediu a chave de volta… – ele sussurra.
— Não interessa. Sai daqui. – ele abre a boca para falar, mas eu não permito. – Sai da minha casa, você, com suas flores, essa música cafona e essa merda toda. E devolve a minha chave.
Penso que ele vai implorar ou chorar, mas não é isso que ele faz. Ele se levanta da cama, tirando debaixo dela um bloco de papel carbono e uma carta.
— Ainda bem que fiz mais dessas. – ele sorri, passando por mim. – Me deseje mais sorte com a próxima.
Ele sai da minha casa, deixando-me boquiaberta. Pelo menos, minha chave está sobre a mesa.

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