
— Estou surpresa. – ela diz, colocando mais uma colherada de sorvete na boca. – Não achei que ela fosse ficar assim.
Olho para o rosto dela, procurando sinais de brincadeira. Mas nenhum sinal. Ela não pode estar falando sério.
— Você disse pra ela que você matou seu filho. Como esperava que ela ficasse?
— Não esperava que ela fosse fazer esse drama todo.
Pisco algumas vezes, tentando compreender o que está acontecendo aqui. Ela não está brincando. Ela não sente a menor empatia pelos familiares e, pior ainda, ela não entende como essa perda pode afetá-los. E isso me deixa assustado.
Sei que eu já fiz isso muitas vezes mas, para mim, eram só negócios. Nunca senti nenhum prazer em cometer esses crimes e, por isso, nunca ataquei inocentes e sempre fiz questão de ligar para a família e contar o que aconteceu.
— Ah, esqueci meu isqueiro lá. Será que você pode buscar?
E essa é minha deixa. Dirijo o mais rápido possível até a casa da mulher. Bato na porta, mas ninguém responde. Com o movimento, vejo a porta se abrir um pouco. Entro, decidido a pegar o isqueiro e ir embora.
Meu coração acelera quando vejo a mulher caída no chão, com um furo de bala no meio da testa. Isso já passou de todos os limites. O que ela fez?
Pego o isqueiro e saio da casa o mais rápido possível, agradecendo por estar frio o suficiente para eu colocar luvas antes de sair nesta manhã.
Entro no meu carro e dirijo para fora da cidade o mais rápido que posso. Minutos depois, meu coração acelera ao receber uma mensagem dela:
— Pra onde você está indo?

Deixe um comentário