
Pronto. Solto a caixa, deixando-a cair no chão um pouco mais forte do que eu esperava. Seco o suor de minha testa e respiro fundo. Meus cabelos já estão encharcados, eu não imaginava que estava tão fora de forma assim.
Jogo-me no sofá e coloco a mão no bolso, pronto para fumar um cigarro. Já faz mais de duas horas que eu não fumo e sinto que estou precisando.
Puxo a carteira do bolso da camisa, mas não consigo encontrar o isqueiro. Provavelmente deve estar no bolso da calça. Procuro e não encontro nada. Deve estar no outro bolso. Nada também.
Tiro toda a minha roupa, chacoalhando-a para ver se o isqueiro cai no chão. Nada. O mesmo acontece quando viro o sapato de cabeça pra baixo. Então, começo a revirar a caixa, na esperança de tê-lo deixado ali, mas logo me desespero.
E agora? Preciso voltar lá e pegar meu isqueiro de volta. Não, não posso. E se a polícia estiver lá? Não, eles não estão lá. Faz só quarenta minutos desde que saí da casa. Posso muito bem entrar, pegar meu isqueiro e ir embora. Mas e se alguém tiver escutado algo? E se eles estiverem esperando que eu volte?
Não posso voltar agora.
Do outro lado da cidade, um isqueiro com o meu nome está afogado em uma poça de sangue.

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