
Encaixo minhas mãos nas dela. Nossos pés balançam sem apoio na ponte. Qualquer um poderia nos empurrar rio abaixo, como acabamos de fazer com o outro. Para nossa sorte, estamos só nós dois aqui.
— O que vamos fazer amanhã? – ela pergunta e sinto um aperto no peito porque ela ainda não sabe.
— Sei lá, acho que a gente pode ver isso com calma depois. – ela balança a cabeça.
— Sabe o que queria agora? Um picolé.
Olho para os lados rapidamente.
— Não, nenhum dos quinhentos vendedores de picolé que andam na madrugada por aqui. – ela ri. – Vamos, precisamos ir embora. Passo para o outro lado da grade.
— Eu queria ficar só mais cinco minutos.
— Você pode ficar o tempo que quiser, princesa.
Empurro-a rio abaixo. Vendo-a cair, observo sua feição de puro choque. Também não queria que fosse necessário, mas ela sabe demais para continuar viva.
Tchau, sua psicopatinha de merda.

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