Medidas paliativas

Encaixo minhas mãos nas dela. Nossos pés balançam sem apoio na ponte. Qualquer um poderia nos empurrar rio abaixo, como acabamos de fazer com o outro. Para nossa sorte, estamos só nós dois aqui.

— O que vamos fazer amanhã? – ela pergunta e sinto um aperto no peito porque ela ainda não sabe.

— Sei lá, acho que a gente pode ver isso com calma depois. – ela balança a cabeça.

— Sabe o que queria agora? Um picolé.

Olho para os lados rapidamente. 

— Não, nenhum dos quinhentos vendedores de picolé que andam na madrugada por aqui. – ela ri. – Vamos, precisamos ir embora. Passo para o outro lado da grade. 

— Eu queria ficar só mais cinco minutos.

— Você pode ficar o tempo que quiser, princesa.

Empurro-a rio abaixo. Vendo-a cair, observo sua feição de puro choque. Também não queria que fosse necessário, mas ela sabe demais para continuar viva.

Tchau, sua psicopatinha de merda.

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Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.