
— Cobre um pouco mais o pé. – ele diz e eu faço como escuto. – Agora, pega um pouco de batom e passa na boca dela. – obedeço, mas logo recebo um tapa na nuca. – Vermelho não, sua burra, é cor de piranha. Pega esse marrom. – ele me entrega um lenço, com o qual tiro o batom da boca dela. Passo o marrom, lutando pra enxergar entre as lágrimas. Vejo que está um pouco borrado, mas ele nem percebe. – Bem melhor. Agora passa em você. – o faço. – E dá um sorriso bem lindo pra mim. – Sorrio, mas isso não parece lhe deixar satisfeito. Recebo um tapa forte nas costas. – Eu quero um sorriso de verdade. Vai, deita lá do lado dela.
Meus passos são desajeitados enquanto ando até a cama. Sento-me em uma ponta, mas ele insiste que eu me aproxime dela. Chego mais próximo, mas ainda não é o suficiente. Ele quer que cole meu rosto no dela.
Tremendo, faço isto. Sinto um arrepio ao entrar em contato com a pele gelada da mulher. Eu nunca tinha chegado tão perto de uma de suas vítimas assim. Dois meses atrás, descobri o que ele fazia para se ‘divertir’ e ele passou a me incluir nas suas maldades. Mas nunca tão próximo assim.
— Pronto, agora sorri. Mas eu quero um sorriso bem bonito, porque se não a próxima vai ser você. – me esforço para dar o sorriso mais natural possível. Escuto o clique da câmera. – Agora sim tenho algo contra você caso você decida contar para alguém. Mas você nunca faria isso né, meu amor? – Nego. – Te amo.
— Te amo também. – digo e saio correndo para o banheiro, colocando pra fora tudo que comi no almoço.

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