
— Cabe mais uma caixa aí? –pergunto, com um meio sorriso no rosto.
Vejo-a revirar os olhos. Pelo visto ainda está irritada comigo por estarmos nos mudando mais uma vez. Mas o que posso fazer? É o meu trabalho. Ela casou comigo sabendo que seria assim. Não é nenhuma novidade para ela.
— Só se eu colocar no meu…
— Olha!
Odeio quando ela fica sarcástica assim. Eu nem ia fazer isso agora, ia deixar para o dia das bruxas, mas ela me irritou. Era pra ser só uma brincadeira boba, mas agora quero que ela se assuste.
— Ei. – olho para ela e deixo um leve beijo em seus lábios. – Abre essa caixa, tem uma coisa muito legal aí dentro.
Ela sorri e abre a caixa. Espero o grito do palhaço, seguido pelo dela. Nada acontece, mas seu sorriso some. Então, o corpo dela começa a tombar e, antes que possa segurá-la, ela cai com tudo no chão.
Agacho para ver como ela está, mas ela não me responde. Começo a gritar e logo os vizinhos vêm me ajudar. Chamam o SAMU em seguida. Retiro a caixa das mãos dela e a observo em silêncio.
No lugar onde deveria estar o palhaço, encontro algo ainda mais assustador: duas passagens, para ela e para outro homem que não sou eu.

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