Pegadinha

— Se a gente colocar isto aqui, o que acontece?

Conecto os dois cabos e, por um instante, parece ter dado certo. Mas então as luzes apagam-se, nos deixando completamente no escuro.

— Merda! – ele diz. – Falei pra você me deixar mexer nisso, droga!

— E agora, o que a gente faz?

— Você não faz nada. Senta no sofá e deixa que resolvo isso.

Jogo-me no sofá e pego meu celular, enviando mensagens para os meus amigos.

“Tá tudo pronto?”

“5 minutos”, um deles responde.

Fico matando o tempo enquanto espero eles terminarem. Escuto enquanto ele trabalha nos cabos, tentando reverter o que acha que causei. Mal posso esperar para ver a cara dele quando descobrir que é tudo uma brincadeira.

— Vou ter que dar uma olhada no disjuntor lá embaixo.

— Eu vou com você.

— Não, você fica aí.

— Sem chance. – ele bufa e descemos juntos.

Quando chegamos à sala do disjuntor, tudo está coberto de sangue. Pedaços de corpos estão espalhados pela sala. Não sei como eles fizeram isso, mas o cheiro é terrível. Parecem cadáveres de verdade.

Olho para ele, que fica pálido e sai correndo, sem dizer uma palavra. Suspiro, decepcionado.

— Eu falei que tava muito realista!

— É porque é tudo de verdade. – empalideço também. – Você pediu uma decoração de Halloween assustadora. Como não encontrei corpos que pareciam realistas, tive que fazer o trabalho.

Minhas mãos começam a tremer. Olho para os outros amigos, que claramente não sabiam de nada disso. Em segundos, meu vômito entra em contato com o sangue do chão. Saio do prédio para ligar para a polícia. 

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Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.