
O caminho é curto. Em minutos, estou saindo do carro, encostando meu pé desnudo na grama gelada. Parou de chover faz algum tempo e sinto que meus pés ficarão imundos, mas não me importo. Na verdade, acho que isso até me tranquiliza um pouco.
— Bom dia, senhora. – o caseiro me cumprimenta. Sorrio para ele.
— Senhorita, na verdade. – ele sorri, tirando seu chapéu.
Ando em direção à casa. Sinto uma formiga picar meu pé e, com um único movimento, a empurro para longe. Sinto vontade de coçar, mas me seguro. Meu tremor é muito maior agora. Penso umas dez vezes em deixar isso para lá e voltar para casa, mas continuo percorrendo meu caminho.
Bato na porta com força. Não escuto nenhum barulho. Bato mais uma vez e ela se abre, permitindo-me ver a escuridão dentro da casa. Grito o nome dele umas três vezes, mas ninguém me responde.
Então, entro. Tranco a porta atrás de mim e começo a andar pela casa, procurando-o. Só paro quando estou na porta de seu quarto.
Acendo as luzes e vejo que o chão está sujo com uma tonalidade de vermelho. O que será que aconteceu aqui? Será que ele matou mais uma galinha dentro de casa? Minha mãe pedia todos os dias para que ele não fizesse isso e ele tinha parado. Será que ele decidiu voltar a fazer isso agora?
Abro a porta, mas não encontro nenhuma galinha. Vejo-o ali, caído no chão, a garganta cortada. O quarto todo sujo de sangue.
Começo a tremer. Quem faria algo assim? Ele tinha muitos inimigos, sim, mas a esse ponto?
Não tenho tempo para pensar nisso. Antes que eu possa fazer qualquer coisa, dou um salto ao ouvir alguém batendo na porta.
— Senhorita? – é a voz do caseiro.
Ele continua batendo, mas eu não consigo responder. Segundos depois, escuto o barulho da chave na fechadura.

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