
— Acabei de colocar no carrinho o livro que você me pediu. Precisa de mais alguma coisa?
— Não. – ela me responde sem tirar os olhos do celular.
Às vezes, tenho vontade de arrancar esse celular da mão dela e jogá-lo no chão com toda a força. Mas não faço isso. Não sou esse tipo de pessoa. Por isso, só completo a compra e fecho o notebook, jogando-me no sofá em seguida.
Na outra ponta do móvel, ela continua focada no aparelho. Nem parece ter percebido minha presença. Nem parece se lembrar de que eu existo. Parece ter se esquecido completamente que, exatamente seis meses atrás, ela aceitou ser minha namorada.
Desde então, tenho gastado dinheiro como nunca. Levei-a para vários jantares, paguei um mês da sua faculdade e até emprestei dinheiro para que ela pudesse dar entrada no carro. Tenho deixado de lado meus próprios projetos para ajudar nos dela. Mas ela, como sempre, não parece se importar.
Então, quando ela diz que vai tomar banho, faço algo completamente inédito para mim. Ando até o seu quarto, onde o notebook está desbloqueado. Ao entrar no WhatsApp Web, vejo uma única conversa arquivada. Tem o nome de um outro cara e a última mensagem foi recebida minutos atrás.
Com os olhos marejados, leio as conversas repletas de declarações de amor e planejamentos para o futuro. É isso. Cheguei no meu limite. Sem dizer uma palavra, saio do aplicativo de mensagens e fecho o notebook. Saio da casa dela da maneira mais silenciosa que consigo.
Pergunto-me quanto tempo vai demorar para que ela perceba que não estou mais aqui.

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