
Estaciono o carro. Cansei de ir de um lado para o outro, mas não tenho o que fazer. Ela me pediu para que esperasse no carro, então é isso que estou fazendo. Mesmo que esteja exausto por trabalhar o dia inteiro e mesmo que ela não tenha feito nada nesse tempo.
Estou cheio de suas atitudes. Todos os dias, ela chora e grita comigo, dizendo que deveria fazer as coisas do jeito dela. Quando eu faço o almoço para ela, diz que não quer comer aquilo. Se eu não faço o almoço, ela também reclama.
Isso cansa. Ficar o dia todo fazendo as vontades de alguém e nada nunca estar bom. Nunca ser o suficiente. Mesmo assim, estou aqui, parado na porta da casa dos seus pais, às nove da noite, esperando que ela fale com eles. Eu deveria ganhar um prêmio por ser tão bonzinho.
Mas agora chega. Faz meia hora que dou voltas na cidade para esperá-la. Agora, precisamos ir para casa.
Dou uma leve buzinada. Segundos depois, ela sai da casa com o pior humor do planeta. Quando ela está para entrar no carro, travo as portas. Abaixo o vidro para falar com ela:
— E o meu sorriso?
— Deixa essa merda pra lá. – ela tem a boca suja como sempre. Olho para ela, esperando que sorria.
Ela dá o sorriso mais falso do mundo. Continuo mantendo o carro travado e ela suspira antes de completar:
— Desculpa pelo palavrão.
Destravo o carro e ela entra. Vendo-a sentar do meu lado, tiro a algema do bolso e a coloco em seus punhos. Hoje vou ter que lhe ensinar boas maneiras. Acelero o carro e aumento o som. Finalmente, estamos indo para casa.

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