Recusa

— Quanto você quer pelo carro? – ela pergunta, apagando mais um cigarro com suas botas.

— Quanto você puder dar.

O homem balança o corpo de um lado para o outro. Ele não consegue ficar parado nem por um segundo, enquanto tenta se manter de pé. Eu já passei por essa situação. Sei que a única coisa que ele quer é pegar esse dinheiro e comprar a sua droga. E vender esse carro, que ele provavelmente roubou, parece a solução correta.

— Como assim? – ela rebate. – O carro é seu, você que precisa pôr um preço nele.

— Eu não faço ideia. – Ele parece pensar. Depois, deixa as mãos caírem ao lado do corpo.

— Que tal um tratamento?

— Que tratamento? Eu não tô doente não. – ele se irrita.

— Ela não quis dizer que você está doente. Só que poderia conseguir ajuda para toda a situação da dependência.

— Vocês só me fizeram perder tempo. – ele sai esbravejando e nos xingando de tudo quanto é nome.

Respiro fundo, tentando afastar as lágrimas que querem escorrer. Sinto-me fraco e insuficiente, mas então me lembro de todas as outras pessoas que já ajudei.

Nem todo dia. Preciso me lembrar disso. Mas isso não quer dizer que devo parar de tentar.

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Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.