Amor

Subo as escadas da cafeteria. Estou muito cansado hoje. Cansado demais para pensar em qualquer coisa. Cansado demais para pensar nela. 

Abro a porta do escritório da cafeteria que agora é onde moro. Jogo-me no colchão inflável, sentindo o alívio de descansar meus pés. Finalmente. Achei que o expediente não ia acabar nunca. Mas acabou. Segundos depois, já estou dormindo.

Levanto-me de supetão. O que foi isso? Que barulho foi esse? Está vindo da cafeteria, eu tenho certeza. Mas tranquei a porta direito, não foi? Ou não? Eu não consigo me lembrar. Caramba.

Desço correndo, tropeçando pelas escadas. No saguão, tudo está tranquilo e nada parece ter acontecido. Decido verificar a cozinha e dou um pulo ao notar que o forro de mesa está pegando fogo. Não muito alto, mas, se eu não tivesse acordado logo, poderia ser fatal.

Então eu deixei a porta aberta? E quem está tentando me matar neste momento? Devo trancar a porta? Ou estarei me trancando aqui com essa pessoa maluca? É melhor não trancar. Deixar que essa pessoa fuja. Mas se ele ou ela não quiser fugir? Se quiser tentar novamente?

Não demoro muito para apagar o fogo. Estou limpando as coisas na cozinha quando vejo um bilhete. Está dobrado ao lado da pia. Ao abrir o papel, leio: Eu te amo.

Ela é louca, tenho certeza. E deve estar me observando agora. Olho para a câmera na parede da cozinha, sorrindo. Ela parece estar tentando me matar. Sem contar que ela me traiu mais de três vezes no ano passado e me expulsou de casa. Então por que eu me sinto ainda mais apaixonado por ela?

Deixe um comentário

Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.