• Livro do mês: Oblivion

    Imagem: Fabrício Martins e Laura Jardim

    Oi, pessoal!

    Eu sei que estou bem sumida aqui e peço desculpas. Tem sido uma correria aqui com mudança de apartamento + gripe + canseira total. Mas enfim. Estou voltando a partir de hoje e vim com uma indicação de livro pra vocês.

    A HQ conta a história da Anna, cuja vida está um paradão total: o cara que ela gosta, gosta de outra, o seu chefe pega no seu pé e um desânimo toma conta da sua vida.

    Então, surge a opção: apagar todas as suas memórias. Será que ela vai deixar tudo de lado e recomeçar do zero? Mas quem é ela sem suas memórias? Quem somos nós sem as nossas memórias?

    É uma HQ muito tocante, que nos mostra quão importante nós somos para nós mesmos e para aqueles que estão ao nosso redor.

    Por isso, eu a recomendo.

  • Insensível

    Abro a porta com um suspiro. Mais um dia cansativo, mais um dia em que volto para casa frustrado. A verdade é que o trabalho já não me satisfaz mais. Não aguento mais o meu chefe, nem a maneira como ele me trata. Não suporto o olhar de deboche que ele faz toda vez que olha o trabalho que fiz e que consumiu horas do meu dia.

    Não suporto nada disso. A única coisa que tem me animado é chegar em casa. Mesmo vendo-a vazia. Mesmo sabendo que minha esposa nunca mais vai voltar. Que nunca mais serei recebido por meus filhos com um abraço. Porque eu trabalhei demais, me dediquei demais a um trabalho que não me dá nenhuma recompensa a não ser o dinheiro.

    De que me serve o dinheiro agora? Ele não vai trazer minha família de volta, vai? Não, claro que não. Mas eu também não posso simplesmente ficar sem fonte de renda.

    Preciso pensar. Não agora, claro. Agora, eu preciso relaxar. Vou para o meu quarto, onde a minha esposa está amarrada, completamente imóvel.

    — Boa noite, meu amor. Tinha me esquecido que você estava aí.

    Ela não responde. Claro que não. E depois sou eu quem sou visto como insensível.

  • Imagem: Record

    Oi, pessoal!

    O livro que escolhi para este mês é muito interessante. Na verdade, eu terminei de ler nesta madrugada.

    Ele conta a história de Jen, uma mãe que volta no tempo depois de ver o seu filho matando um homem. Ela tenta entender os motivos que o levaram até ali, enquanto descobre detalhes que não notou no passado.

    É um suspense que prende muito e por isso eu recomendo.

  • Apaixonado

    Olhando para ela, consigo ver todo o meu futuro. Estaremos ligados eternamente. Quando disserem o nome dela, os outros sempre irão lembrar de mim. Seremos inseparáveis. Ao falarem o meu nome, o lindo rosto dela lhes aparecerá na cabeça.

    Dizem que o amor é uma prisão mas, por causa dela, eu adorarei estar preso. Estaremos sempre juntos, mesmo quando não estivermos fisicamente próximos. Ela estará sempre comigo e eu sempre com ela. Não importa o que aconteça.

    Vão querer nos separar. Vão dizer que eu não a amo, que nunca a amei. Essa será a maior mentira já contada. Vão dizer que é cedo demais, que eu sou louco demais. Não me interessa. Eu não canso de ser um cara apaixonado. Tudo que eu quero é estar ao lado dela. Mesmo que ela tenha me dito que não é isso que quer.

    Pulo pela janela de sua casa, segurando a faca com firmeza em minha mão. Escuto um barulho estranho e, quando vejo, estou caído no chão. A última coisa que vejo é o sangue, que começa a escorrer pelo tapete.

  • Imagem: Bus Frenzy

    Olá, pessoal!

    O aplicativo que escolhi para este mês é ótimo para passar o tempo. No Bus Frenzy, você precisa acabar com o engarrafamento, fazendo com que cada veículo busque os passageiros da mesma cor.

    É um jogo de estratégia, em que você tem poucas vagas para estacionar e pegar os passageiros e muitas cores diferentes.

    O jogo é gratuito e está disponível para Android e iOS.

  • Amor

    Subo as escadas da cafeteria. Estou muito cansado hoje. Cansado demais para pensar em qualquer coisa. Cansado demais para pensar nela. 

    Abro a porta do escritório da cafeteria que agora é onde moro. Jogo-me no colchão inflável, sentindo o alívio de descansar meus pés. Finalmente. Achei que o expediente não ia acabar nunca. Mas acabou. Segundos depois, já estou dormindo.

    Levanto-me de supetão. O que foi isso? Que barulho foi esse? Está vindo da cafeteria, eu tenho certeza. Mas tranquei a porta direito, não foi? Ou não? Eu não consigo me lembrar. Caramba.

    Desço correndo, tropeçando pelas escadas. No saguão, tudo está tranquilo e nada parece ter acontecido. Decido verificar a cozinha e dou um pulo ao notar que o forro de mesa está pegando fogo. Não muito alto, mas, se eu não tivesse acordado logo, poderia ser fatal.

    Então eu deixei a porta aberta? E quem está tentando me matar neste momento? Devo trancar a porta? Ou estarei me trancando aqui com essa pessoa maluca? É melhor não trancar. Deixar que essa pessoa fuja. Mas se ele ou ela não quiser fugir? Se quiser tentar novamente?

    Não demoro muito para apagar o fogo. Estou limpando as coisas na cozinha quando vejo um bilhete. Está dobrado ao lado da pia. Ao abrir o papel, leio: Eu te amo.

    Ela é louca, tenho certeza. E deve estar me observando agora. Olho para a câmera na parede da cozinha, sorrindo. Ela parece estar tentando me matar. Sem contar que ela me traiu mais de três vezes no ano passado e me expulsou de casa. Então por que eu me sinto ainda mais apaixonado por ela?

  • Imagem: Netflix

    Olá, pessoal!

    O filme que escolhi para este mês é um documentário. De maneira bem humorada, ele mostra as táticas das empresas para vender seus produtos e diminuir o tempo de vida deles, fazendo com que os clientes voltem a comprar rapidamente.

    Também mostra o que acontece com os produtos descartados pelas empresas e por nós, consumidores. É um filme muito interessante e eu o recomendo.

    A conspiração consumista está disponível na Netflix.

  • Empatia

    — Quanto você precisa? – pergunto, abrindo a carteira.

    — Nada. Tá tudo bem. Eu só queria conversar com você. – ela me lança um olhar pidão, que me faz ter vontade de vomitar. Devolvo a carteira à bolsa.

    — Pode falar.

    A mulher começa a falar descontroladamente e não faço o menor esforço para compreender o que ela diz. Sei que ela não espera que eu diga nada, só escute os seus sofrimentos e finja me importar. 

    Quero sair daqui. Quero chegar logo em minha casa e colocar meus pés pra cima, receber uma massagem, qualquer coisa. Qualquer coisa menos estar aqui.

    Quando ela termina de falar, a abraço e digo que vai ficar tudo bem. Então, me despeço e saio, entrando no meu carro. O meu assessor me mostra o vídeo que acaba de gravar e eu noto que ficou muito bom. 

    Chegando em casa, o motorista abre a porta do carro para que eu possa sair. Quero tomar um banho bem demorado, mas o meu assessor me lembra que tenho mais um compromisso antes de poder relaxar.

    Sentada na poltrona da sala, abro um sorriso e começo a gravar.

    — Boa tarde! Hoje encontrei essa mulher maravilhosa que vocês viram no vídeo. Ouvi a sua triste história de vida e isso me tocou muito. Mas quero que saibam que as coisas vão melhorar depois que eu for eleita. Quando eu me tornar a sua deputada, as coisas vão melhorar, porque eu realmente me importo com você. Vamos construir um futuro melhor juntos?

Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.