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18. Você pode fazer com que as três coisas que mais odeia desapareçam

O que aconteceu ontem à noite ainda parece irreal. Aquele homem com os cabelos verdes batendo na porta da minha casa. E tudo que ele falou depois. Ainda não consigo acreditar. Por que eu? Por que alguém me daria uma decisão tão grande para tomar?

Não importa agora. Eu preciso pensar, preciso decidir o que fazer. Posso fazer com que três coisas desapareçam. Mas se elas desaparecerem, para onde vão? Certamente precisam ir para algum lugar. Se desaparecem daqui, em algum lugar tem que aparecer.

Posso fazer com que meu chefe desapareça. Ou com que toda a guerra, as doenças e a pobreza desapareçam. Mas ainda assim, será que estas pessoas do mundo paralelo merecem isto? Porque eu já assumi para mim que estas coisas vão para alguma realidade alternativa. E se lá eles não tiverem condições para lidar com isto? E se eu acabar destruindo este mundo paralelo? Então carregarei todo este peso pelo resto de minha vida.

E mesmo assim, como o nosso planeta se reestruturaria? Porque estas são coisas tristes, mas, infelizmente, fazem parte de nosso mundo. De qualquer forma, acho que isto é o melhor a se fazer. Não poderia pedir que outras coisas desaparecessem. É esta minha decisão.

Ouço batidas na porta. Olho o relógio. Sete horas, o horário que ele disse que viria. Levanto-me e vou até a porta.

— Espero que tenha tomado sua decisão. – ele diz.

— Sim. Estou decidida.

— Devo lembrar de que este desejo não pode influenciar a todos neste planeta. Deve ser algo simples, que afete apenas você.

— Então eu não posso pedir para que a fome deixe de existir?

— Este seria meu desejo também, mas infelizmente não posso concedê-lo. Meu poder não é tão grande assim. – ele olha no relógio. – Você só tem mais um minuto, depois disto terei que ir embora.

— Eu não sei o que decidir! Estava pensando em coisas grandes, mas agora não sei o que fazer.

Tento pensar em algo que me irrite muito, mas nada me vem à mente. Logo neste momento em que tanto preciso. Ele volta a olhar o relógio.

— Seu tempo acabou, querida. Infelizmente tenho que ir. Sinto muito que tenha perdido esta oportunidade.

Ele sai, fechando a porta em silêncio. É como se não tivesse passado por aqui. Desolada, jogo-me na cama.

No dia seguinte, acordo com a música alta do vizinho, como todos os dias. Ao terminar de me vestir, deixo cair café quente nas minhas roupas. E então, ao sair para a rua, um homem esbarra em mim, derrubando-me no chão. Quando me levanto, ele já está longe. Só consigo ver seus cabelos verdes por baixo do chapéu.

Neste momento, já pensei em quatrocentas coisas que poderia ter pedido, mas é tarde demais.

Uma resposta para “Semana 18: 25 Semanas de Escrita”.

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Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.