
Coloco meus dedos em sua boca. Tudo normal, mas sinto algo encostar em meu dedo. Puxo o que quer que seja. É um chiclete. Passou tanto tempo umedecido que agora começa a se dissolver em minhas mãos. Nojento.
Não sei porque as pessoas mascam chicletes. Se elas soubessem que o chiclete que elas engolem pode grudar na parede do seu estômago e que podem morrer por conta disso, acho que nunca mais mascariam chicletes. Ou talvez isto seja um mito que minha avó me contou. Mas acho que eles não mascariam esta merda se imaginasse que isto iria acontecer.
Ou talvez sim. Porque as pessoas nunca aprendem. Insistem em fazer algo, mesmo sabendo que aquilo não é certo. Ou talvez a noção de certo ou errado tenha se diluído em suas cabeças. Então elas criam uma vida de mentiras, dispostas a esconder tudo de todos, inclusive dos que se importam com elas. Vivem uma vida dupla, ou tripla, ou quádrupla, em que ninguém é capaz de ser o que quiser. Em que todos usam máscaras para esconder quem realmente são.
Meu telefone toca. Digo a minha esposa que logo chegarei em casa, acabei me enrolando no trabalho. Quando desligo, posiciono a cabeça do homem próximo ao símbolo que acabei de desenhar no chão. Agora, minhas mãos estão sujas de sangue. Lavo-as e, antes de sair, dou mais uma olhada para trás. Está tudo certo. Posso voltar para casa e ficar com a minha família.

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