
Os chinelos deslizam de meus pés. Em qualquer outra ocasião, eu adoraria a sensação da água gelada, indo e vindo sobre eles. Adoraria ver as espumas se formando ao meu redor e ouvir o barulho do mar.
Não é o caso. Neste momento, estou apavorada. Conforme ando em direção à parte mais funda, mais vejo a água ficar vermelha ao meu redor. Olho para o lado o tempo todo, certificando-me de que não tem ninguém perto de mim. Se alguém me vir aqui, estou fodida.
O corpo está a poucos passos daqui. Se alguém souber o que está procurando, pode encontrá-lo em menos de dois minutos. É por isso que preciso ter certeza de que ninguém vai me ver aqui, toda suja de sangue. Continuo indo mais fundo, em direção ao mar, sem tirar os olhos da praia escura.
Sinto um movimento nas águas perto de mim e quase dou um salto. Antes que possa me virar completamente para ver o que é, sinto uma dor imensa nas pernas. Uma dor que nunca senti antes e, provavelmente, não sobreviverei para contar a história.
Meu instinto de sobrevivência entra em ação quando o tubarão morde minha perna direita. Ele parece querer arrancá-la. Então, com a maior força que eu tenho, chuto sua cabeça com a outra perna.
Ele não me solta até que arranque minha perna, levando-a com ele. De alguma forma, consigo chegar até a praia. E agora preciso fazer uma escolha: sangrar até a morte aqui ou ser tratada e passar o resto da vida na cadeia.
Arrasto-me até meu celular.

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