O aplicativo que escolhi para este mês é da Biblioteca Digital Gratuita de São Paulo. Lá, você pode encontrar diversos livros, dos clássicos até as últimas novidades que estão bombando.
Você pode pegar emprestado estes livros, ler no seu dispositivo e depois devolver, tudo de forma online e gratuita.
Como toda biblioteca, entretanto, a fila de espera para conseguir o livro do momento pode demorar alguns meses.
Vejo uma mancha de papel carbono sobre a mesa. Estranho. Há tempos não via isso, mas sabia bem o que era. Os anos todos trabalhando em comércio me treinaram bem para isso.
Ao fundo, sinto cheiro de rosas. Sempre foram as minhas flores favoritas, até meu ex-namorado acabar com tudo. No dia em que terminamos, ele me deu um buquê de rosas e um beijo no rosto, dizendo que nunca iria me esquecer, mas que precisava ver o mundo.
Ouço uma música tocar, vinda do meu quarto. Ando até lá, sentindo meu coração sair pela boca. Eu não me lembro de ter deixado a música ligada antes de sair. Quando chego lá, fico em choque por um momento. Ali está ele, o homem que me fez chorar por anos e anos, acreditando que nunca encontraria alguém igual a ele. A pessoa que, durante muito tempo, eu acreditei ser o homem da minha vida. Ao seu lado, vários e vários buquês de rosas.
— Oi. – ele sorri.
— O que você tá fazendo aqui?
— Estava com saudade. Vim te reconquistar.
— E, em algum momento, você achou que seria legal entrar na minha casa sem me perguntar nada?
— Você nunca me pediu a chave de volta… – ele sussurra.
— Não interessa. Sai daqui. – ele abre a boca para falar, mas eu não permito. – Sai da minha casa, você, com suas flores, essa música cafona e essa merda toda. E devolve a minha chave.
Penso que ele vai implorar ou chorar, mas não é isso que ele faz. Ele se levanta da cama, tirando debaixo dela um bloco de papel carbono e uma carta.
— Ainda bem que fiz mais dessas. – ele sorri, passando por mim. – Me deseje mais sorte com a próxima.
Ele sai da minha casa, deixando-me boquiaberta. Pelo menos, minha chave está sobre a mesa.
O filme que escolhi para este mês conta a história de um grupo de jovens. Eles estavam indo do Uruguai ao Chile, quando o avião caiu na Cordilheira dos Andes. Então, eles passam mais de dois meses em condições extremas de temperatura.
Em pleno inverno, os corpos dos outros passageiros não entram em decomposição e os sobreviventes tomam a difícil decisão de se alimentar deles.
A sociedade da neve é inspirada em uma história real, ocorrida nos anos 70. Infelizmente, das 45 pessoas dentro do avião, apenas 16 sobreviveram.
— Quantos cigarros você precisa fumar por dia? – ela me pergunta e eu solto a fumaça na cara dela. — 20, 40, sei lá. Por quê? — Nada. Ela dá de ombros e eu também. Passamos uns vinte minutos sem falar nada, até que ela diz que vai embora. Me convida para irmos juntos, mas recuso. Despeço-me dela e continuo ali, olhando atento para o meu livro, ignorando todos os problemas financeiros. Horas depois, mudo de ideia e me decido a encontrá-la. Subo as escadas do seu prédio e bato na porta. Quando ela abre, sorri para mim pela beirada da porta. Tento entrar na casa, mas ela não me deixa. Pede para que volte depois. Nego. Digo a ela que pode me contar o que quiser e ela balança a cabeça. Forço a porta e finalmente consigo entrar. Não sei porque ela parece tão preocupada, já que a casa está bem arrumada. Mas, quando entro em seu quarto, vejo uma pilha de cigarros da marca que eu fumo. Olhando para baixo, vejo um homem caído, sua cabeça coberta de sangue. Olho para ela, que começa a chorar: — Foi um acidente. Eu só queria te ajudar com os seus cigarros, mas não tinha dinheiro. Então, acabou acontecendo. Eu estou tão arrependida… Fixo meu olhar nela e percebo que está mentindo. Ela não está nem um pouco arrependida. E isso, estranhamente, faz uma corrente de excitação correr pelo meu corpo. Passo meus braços em volta dela e a jogo na cama, beijando seu corpo todo.
O livro que escolhi para este mês é uma comédia romântica de deixar o coração quentinho.
Josh e Lucy são colegas de trabalho e eles se odeiam. Pelo menos, é o que eles acham. Quando Josh descobre que a mulher tem um encontro, ele a beija no elevador, o que muda toda a dinâmica entre eles.
Por mais que muitas vezes eles ajam como crianças imaturas, o casal é muito fofo e, por isso, eu recomendo a leitura.
Ele diz e coloca meu notebook no outro lado da mesa. Observo-o, sentindo o ódio ferver dentro de mim. Fico em silêncio e respiro fundo mais uma vez, enquanto me estico para pegar o aparelho. O homem para na minha frente. Em seu rosto, um sorriso de quem está se divertindo muito com a situação.
Sinto a raiva crescendo, como um vulcão prestes a explodir. Tento segurá-la, mas é mais forte do que eu. Empurro-o com força, jogando-o para longe de mim. Ele cai no chão e eu me surpreendo com a minha própria força. Só pego o notebook e o coloco em minha frente. Volto a trabalhar.
Espero ouvir sua risada sarcástica ou algo assim. Depois de minutos, assusto-me por não o ver em minha frente. Levanto-me da cadeira e ele ainda está ali, caído no chão. Em sua cabeça, muito sangue. Vejo a quina pontiaguda da mesa também ensanguentada e dou um grito quando percebo que seu coração não bate mais.
Este mês, trouxe mais uma indicação de jogo. Nele, você ordena hexágonos por cor, alcançando pilhas que, quando chegam no tamanho certo, desaparecem, deixando mais espaço no tabuleiro.
Quando você completa uma fase, ganha uma quantidade de cores para dar vida a um mundo em 3D.
O copo de cerveja ainda está parado na minha frente, esquentando cada vez mais. Dou um pequeno gole, tendo que me esforçar para não fazer uma careta. Bato os dedos na mesa, tentando ao máximo chamar a atenção para mim. Na minha frente, o casal continua se beijando, as mãos dele sobem e descem pelas costas dela. O beijo continua. Eles parecem esquecer do mundo ao seu redor, tanto que as mãos dele entram por baixo da saia da garota, como se não estivessem em um bar lotado. Os dois se afastam para respirar. Ele, sorrindo, fala algo para ela enquanto estende o braço para alcançar o copo de cerveja que coloca na boca e seus olhos se desviaram da garota por meio segundo. Eles se encontram com os meus imediatamente. “Put* que p*riu”, ele passa a mão pelos cabelos e diz em seguida. Mantenho o olhar fixo no seu, esperando pelo próximo passo.
Olá,
Sou Laura Braga
27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.