• Surpresa

    — Feche os olhos. – digo antes que ela possa entrar em casa.
    Cubro seus olhos com as mãos e acabo rindo. Mal posso esperar para ver a cara dela quando mostrar o que estou escondendo.
    — Uma surpresa, é? Alguma ocasião especial? – ela diz, sorrindo.
    — Você já vai descobrir.
    Abro a porta de casa e a conduzo para dentro, trancando a porta. Descubro os seus olhos e vejo seu sorriso se desmanchar.
    No meio da sala, poças enormes de sangue. Seu amante caído no chão, morto. Ela me olha com repulsa e se prepara para correr, mas, antes que o faça, pego o pedaço de madeira que deixei encostado na parede.
    Acerto em cheio na sua cabeça.

  • Olá, pessoal!

    A série que escolhi para este mês nos traz uma reflexão. Na década de 90, a Pepsi fez uma campanha de que, quanto mais Pepsi você comprava, você podia ganhar produtos da empresa. No final da propaganda, aparecia um caça míssel por sete milhões de pontos.

    Quando um jovem conseguiu juntar todos estes pontos, comprando-os, a empresa disse que foi claramente uma brincadeira e que eles não iriam dar o caça.

    Na série, vemos toda essa interação entre a Pepsi e o jovem.

    Pepsi, cadê meu avião? está disponível na Netflix.

  • Sal e sangue

    Os chinelos deslizam de meus pés. Em qualquer outra ocasião, eu adoraria a sensação da água gelada, indo e vindo sobre eles. Adoraria ver as espumas se formando ao meu redor e ouvir o barulho do mar.

    Não é o caso. Neste momento, estou apavorada. Conforme ando em direção à parte mais funda, mais vejo a água ficar vermelha ao meu redor. Olho para o lado o tempo todo, certificando-me de que não tem ninguém perto de mim. Se alguém me vir aqui, estou fodida.

    O corpo está a poucos passos daqui. Se alguém souber o que está procurando, pode encontrá-lo em menos de dois minutos. É por isso que preciso ter certeza de que ninguém vai me ver aqui, toda suja de sangue. Continuo indo mais fundo, em direção ao mar, sem tirar os olhos da praia escura.

    Sinto um movimento nas águas perto de mim e quase dou um salto. Antes que possa me virar completamente para ver o que é, sinto uma dor imensa nas pernas. Uma dor que nunca senti antes e, provavelmente, não sobreviverei para contar a história.

    Meu instinto de sobrevivência entra em ação quando o tubarão morde minha perna direita. Ele parece querer arrancá-la. Então, com a maior força que eu tenho, chuto sua cabeça com a outra perna.

    Ele não me solta até que arranque minha perna, levando-a com ele. De alguma forma, consigo chegar até a praia. E agora preciso fazer uma escolha: sangrar até a morte aqui ou ser tratada e passar o resto da vida na cadeia.

    Arrasto-me até meu celular.

  • Imagem: Antofágica

    Oi, pessoal!

    Hoje é o Dia Internacional do Livro Infantil e, por isso, como indicação, decidi trazer um clássico do gênero, que eu só consegui ler mês passado.

    O mágico de Oz conta a história de Dorothy, uma criança que mora com os tios no Kansas. Um furacão acaba levando sua casa, a garota e Totó, seu cachorro, para um lugar mágico. Mas Dorothy, querendo voltar para perto dos tios, entra em uma aventura até Oz, onde mora um mágico muito poderoso.

    No caminho, ela encontra o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão, que se tornam seus amigos e companheiros de viagem.

    O livro é curto e divertido e, por isso, eu recomendo.

  • Imagem: Netflix

    Olá, pessoal!

    Escolhi para este mês um reality de que gostei muito.

    Nele, onze desconhecidos recebem um prêmio de 250 mil que pode ser dividido igualmente. Ao longo dos dias, eles precisam decidir se vão continuar dividindo ou eliminar alguém do jogo para aumentar sua porção do valor.

    A série só tem uma temporada e é bem divertida.

    Investidos: O jogo da desconfiança está disponível na Netflix.

  • ,

    Felicidade

    Ele salta sobre as poças de lama. Quero brigar com ele, mas não consigo. Ele parece tão feliz. Sorrio ao ver suas perninhas fofas e macias, indo de um lado para o outro, mesmo que isto me faça ter que sair correndo atrás dele.

    Faço o caminho todo em silêncio. Só fico observando-o parar para ver algo que parece ser muito interessante.

    Quando chego em casa, solto sua coleira e o vejo se aninhar no sofá, deitado em cima da almofada. Seus olhos se fecham, mas está com uma feição alegre, depois de todo este passeio. Sento-me ao seu lado e acaricio suas costas. Ele me dá uma olhada rápida, mas logo volta a dormir.

    Algum tempo depois, o resto da minha família chega e ficamos juntos conversando. Neste momento, me sinto feliz. Muito feliz.

    Parece um dia comum, mas tirei um tempo para apreciá-lo e isso o tornou especial.

  • Imagem: BibliON

    Olá, pessoal!

    O aplicativo que escolhi para este mês é da Biblioteca Digital Gratuita de São Paulo. Lá, você pode encontrar diversos livros, dos clássicos até as últimas novidades que estão bombando.

    Você pode pegar emprestado estes livros, ler no seu dispositivo e depois devolver, tudo de forma online e gratuita.

    Como toda biblioteca, entretanto, a fila de espera para conseguir o livro do momento pode demorar alguns meses.

    BibliON está disponível para Android e iOS.

  • Papel carbono

    Vejo uma mancha de papel carbono sobre a mesa. Estranho. Há tempos não via isso, mas sabia bem o que era. Os anos todos trabalhando em comércio me treinaram bem para isso.

    Ao fundo, sinto cheiro de rosas. Sempre foram as minhas flores favoritas, até meu ex-namorado acabar com tudo. No dia em que terminamos, ele me deu um buquê de rosas e um beijo no rosto, dizendo que nunca iria me esquecer, mas que precisava ver o mundo.

    Ouço uma música tocar, vinda do meu quarto. Ando até lá, sentindo meu coração sair pela boca. Eu não me lembro de ter deixado a música ligada antes de sair.

    Quando chego lá, fico em choque por um momento. Ali está ele, o homem que me fez chorar por anos e anos, acreditando que nunca encontraria alguém igual a ele. A pessoa que, durante muito tempo, eu acreditei ser o homem da minha vida. Ao seu lado, vários e vários buquês de rosas.

    — Oi. – ele sorri.

    — O que você tá fazendo aqui?

    — Estava com saudade. Vim te reconquistar.

    — E, em algum momento, você achou que seria legal entrar na minha casa sem me perguntar nada?

    — Você nunca me pediu a chave de volta… – ele sussurra.

    — Não interessa. Sai daqui. – ele abre a boca para falar, mas eu não permito. – Sai da minha casa, você, com suas flores, essa música cafona e essa merda toda. E devolve a minha chave.

    Penso que ele vai implorar ou chorar, mas não é isso que ele faz. Ele se levanta da cama, tirando debaixo dela um bloco de papel carbono e uma carta.

    — Ainda bem que fiz mais dessas. – ele sorri, passando por mim. – Me deseje mais sorte com a próxima.

    Ele sai da minha casa, deixando-me boquiaberta. Pelo menos, minha chave está sobre a mesa.

Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.